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Como o populismo derrotou o liberalismo no Reino Unido?

gustavochacra

24 Junho 2016 | 10h17

Seis em cada dez pessoas de Londres votaram a favor da permanência do Reino Unido na União Europeia. Benjamin Netanyahu sempre é trucidado em Tel Aviv nas eleições israelenses. Donald Trump foi massacrado nas primárias na cidade de Nova York.

Ainda assim, o Reino Unido, apesar da oposição dos londrinos, deixará a União Europeia. Netanyahu segue como premiê de Israel vencendo eleições independentemente de ser impopular entre liberais moradores de Tel Aviv. E Trump será o candidato de seu partido apesar de contar com minúsculo suporte na sua cidade natal.

Por que? Porque nas grandes cidades o apelo de populistas, sejam eles de esquerda ou de direita, é bem menor do que no interior. Um britânico que vive na fronteira da Inglaterra com o País de Gales tem uma convivência menor com imigrantes. Possui naturalmente mais medo do diferente. Sente uma certa nostalgia pelo passado.

Já alguém que vive em North London tem na sua roda de amigos italianos, brasileiros, belgas, egípcios e israelenses. Convive e gosta deste multiculturalismo liberal. Seu chefe no banco pode ser um espanhol. Seu subalterno um escocês. Todos falam inglês, gostam de futebol, planejam férias na Croácia e veem Game of Thrones.

No Reino Unido, porém, venceu o pensamento populista. E perdeu a ideologia liberal e multicultural. As consequências são óbvias hoje mesmo. Basta ver o derretimento do mercado. Os britânicos pagarão um preço caro pelo BREXIT. Inclusive aquela metade da população que vive em Londres, Manchester e Liverpool. Eles queriam seguir na União Europeia. Mas serão obrigados a sair e viver em uma nação cada vez mais provinciana. Alguns, claro, se realocarão em Frankfurt, Paris, Milão e Bruxelas, levando junto seu talento.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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