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Como o populismo destruiu a Venezuela como se fosse uma guerra?

gustavochacra

03 Agosto 2016 | 12h00

A Venezuela é uma das raras histórias de países que se autodestruíram em tempos de paz como se estivessem em guerra. Sua economia derreteu, a população passa fome e o governo segue desrespeitando a democracia e adotando políticas populistas. A decadência de nosso vizinho na América do Sul normalmente só é observada durante guerras. É o caso da Síria, do Afeganistão e do Iraque.

É complicado se reerguer enquanto houver conflito. Provavelmente, quando e se houver paz, conseguirão se reconstruir. Basta ver o Líbano. Após destruição quase total na Guerra Civil (1975-90), conseguiu se reconstruir de forma magnífica, especialmente Beirute. Mas e a Venezuela? Quando conseguirá se reerguer? Não sei. Só sei que este país está cada vez pior. Inacreditável esta nação, que era de “classe média” duas décadas atrás, ter se tornado “mendiga”.

O Brasil achou normal seu vizinho, de classe média, começar a fazer bobagens, se endividar e, no fim, quebrar. Mais grave, não apenas um vizinho, mas um sócio no Mercosul. Podia ter aconselhado, ter agido de uma forma mais firme. Ao contrário, bateu nas costas e, em alguns momentos, até chegou a copiar. Hoje precisa lidar com este caos ao lado.

Ao observar a Venezuela, fico cada vez mais certo do perigo de discursos populistas. Recep Tayyp Erdogan, na Turquia, é outro perigo. Verdade, em economia, ele sempre foi mais responsável do que o regime chavista. Mas, politicamente, tem agido igual. O mesmo vale para a Rússia de Putin. E, mais grave, para os EUA caso Trump seja eleito presidente.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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