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Como o título do Red Sox e a Fenway Park explicam o conflito Israel-Palestina e Jerusalém

gustavochacra

31 de outubro de 2013 | 13h28

Nós, especialmente quando ainda somos jovens, imaginamos que veremos todas as resoluções de conflito durante a nossa vida. Pensamos que estaremos vivos quando criarem um Estado palestino, quando as guerras do Iraque e da Síria acabarem, quando as mulheres tiverem os mesmos direitos que os homens na Arábia Saudita e a China for uma democracia liberal.

Mas não é bem assim. Pessoas nasceram e morreram sem ver conflitos terminarem ou acordos de paz assinados. Demora. Na Europa Ocidental, foram séculos até vermos a paz atual, conseguida no pós-Segunda Guerra. Aliás, a consolidação mesmo veio com a queda do Muro de Berlim, há pouco mais de 20 anos.

Nosso planeta é como a Fenway Park, o estádio Red Sox. O segundo mais tradicional time do baseball dos EUA conquistou ontem um título jogando em casa depois de 95 anos de espera. Nenhuma pessoa nas arquibancadas ontem estava viva em 1918, quando Babe Ruth ainda liderava a equipe, antes de se mudar para o Yankees e jogar uma maldição.

Centenas de milhares de pessoas nasceram, cresceram e morreram em Boston indo à Fenway Park, que ainda mantém seu placar manual, sem ver o Red Sox campeão. Verdade, em 2004 e 2007 foram vencedores, mas jogando no estádio do adversário. O sabor não é o mesmo.

Uma geração de palestinos e israelenses já nasceu, cresceu e irá morrer sem ver a paz. Até quando? Será que até o ano que vem? Poderemos ter surpresas. Mas, que fique claro, os palestinos e israelenses de hoje não são os mesmos de 1948, com raras exceções. É como na Fenway Park – a terra sagrada é a mesma, mas as pessoas nas arquibancadas e no campo são outras. Em vez de Babe Ruth, é David Ortiz e Uehara. A tradição, porém, passa de pai para filho, como em Jerusalém, Tel Aviv e Ramallah. Podem passar mais cem anos e israelenses e palestinos ainda estarão vivendo no mesmo lugar. Esperamos que em paz.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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