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Como Obama derrotou Republicanos para deixar Irã longe da bomba?

gustavochacra

10 Setembro 2015 | 18h04

 

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conquistou a sua mais importante vitória diplomática nesta quinta. Os democratas conseguiram bloquear a iniciativa do Partido Republicano que, com o apoio do premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, pretendia rejeitar o acordo na área nuclear assinado entre os americanos e o Irã, em parceria com todas as potências mundiais (China, Rússia, França, Alemanha e Reino Unido).

Foram 58 votos (os 54 senadores republicanos e 4 democratas) a favor da iniciativa republicana para derrubar o acordo e 42 (todos democratas) contra. Os republicanos precisavam de 60 para rejeitar, o que obrigaria Obama a vetar. Para derrubar o veto de Obama, os republicanos teriam ainda mais dificuldade, pois necessitariam de 67 votos no Senado e outros dois terços da Câmara. Sem alcançar os 60 hoje, eles naufragaram.

O acordo, que na prática impede o Irã de desenvolver uma bomba atômica nos próximos 15 anos a partir do urânio e definitivamente a partir do plutônio (via mais barata e usada em 95% das bombas), passa a valer a partir de agora. Sem o acordo, o Irã tem capacidade de fabricar uma arma nuclear, se assim desejar, em 3 meses. Desta forma, Obama alcança uma das mais importantes conquistas da diplomacia mundial, deixando o regime de Teerã, um dos mais radicais do mundo, mais longe da bomba atômica.

A vitória se deu graças a uma ampla ação de Obama que conseguiu o apoio da maioria dos militares e cientistas nucleares americanos, além de ex-comandantes do Shin Bet (serviço de segurança interna de Israel) e da Mossad (serviço de inteligência de Israel) e do ex-secretário de Estado, Colin Powell. Mais importante, Obama teve o apoio de todos os seus aliados na comunidade internacional, a não ser o governo israelense, que optou equivocadamente por se envolver em política interna americana e se aliar aos republicanos.

Com a vitória de Obama, Israel e o mundo estão bem mais seguros hoje do que estariam sem o acordo, que inevitavelmente levaria a uma guerra ou a uma bomba atômica iraniana. E o Irã pode ajudar os EUA a combaterem o ISIS (Grupo Estado Islâmico) e a Al Qaeda, maiores ameaças para a segurança internacional.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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