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Como os candidatos nos EUA vêem Israel-Palestina?

gustavochacra

22 de fevereiro de 2016 | 17h35

Marco Rubio e Ted Cruz, do Partido Republicano, são os candidatos mais abertamente defensores da direita de Israel na história recente dos Estados Unidos. Suas posições seriam consideradas extremas até para premiês israelenses como Yitzhak Rabin, Shimon Peres, Ehud Barak e Ehud Olmert – e possivelmente Ariel Sharon. Também seriam consideradas radicais pelos três últimos presidentes republicanos dos EUA – Ronald Reagan, George Bush e George W. Bush – e pelos democratas Jimmy Carter, Bill Clinton e Barack Obama.

Primeiro, Cruz e Rubio dizem que mudarão a Embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém. Em segundo lugar, defendem que Jerusalém seja reconhecida como capital eterna e indivisível de Israel. Terceiro, chamam a Cisjordânia de Judéia e Samaria e consideram esta região, majoritariamente palestina e considerada território palestino na ONU, como parte de Israel. Quarto suspenderão a ajuda financeira para a Autoridade Palestina.

Estas medidas seguramente radicalizariam os palestinos, fortaleceriam o Hamas, provocariam revolta entre aliados fundamentais na região como a Jordânia e a Turquia e isolariam os EUA em relação à Europa. Por último e mais importante, eliminariam qualquer possibilidade de solução de dois Estados. As únicas alternativas seriam conceder cidadania israelense aos palestinos, colocando em risco a maioria judaica no país, ou formalizar um Estado de apartheid no qual palestinos seriam cidadãos de segunda classe – isolando Israel ainda mais na comunidade internacional.

O líder nas primárias republicanas, Donald Trump, embora com posições totalmente absurdas no combate ao terrorismo e à imigração ilegal, é um pouco mais maduro em Israel-Palestina. Defende a solução de dois Estados, diz que manterá a neutralidade e tentará negociar a paz. Praticamente igual a Hillary Clinton, líder das primárias do Partido Democrata.

O também democrata Bernie Sanders, que é judeu e passou um tempo em um kibbutz em Israel quando era jovem, apoia a solução de dois Estados, mas critica abertamente o governo de Benjamin Netanyahu.

Sanders representa o pensamento tradicional de parte da comunidade judaica americana, bem mais liberal (no sentido americano de progressista) do que a maior parte dos americanos. São majoritariamente a favor do direito ao aborto, criticam a desigualdade social, defendem o casamento gay, temem as mudanças climáticas e querem mais restrições aos armamentos. Cerca de 80% dos judeus votaram em Obama.

Há uma parcela conservadora da comunidade judaica, sem dúvida. Mas Sanders é de um tempo que Israel era o sonho da esquerda mundial. Hoje mudou e Israel tem defensores como Rubio e Cruz, não Sanders. Judeus como Sanders amam Israel, mas não vêem problema em criticar o governo israelense. Assim como muitos aqui amam o Brasil e não vêem problema em criticar o governo brasileiro. Israel não é apenas Netanyahu, assim como o Brasil não é apenas Dilma.

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