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Como Rabin em Israel, Marielle foi morta pelos seus ideais políticos

gustavochacra

16 Março 2018 | 17h29

Se eu te perguntar para citar o nome de dois americanos assassinados , você provavelmente responderá John Kennedy e Martin Luther King Jr. Se eu perguntar de um israelense, a resposta será o premiê Yitzhac Rabin. Se perguntar de um libanês, será o premiê Rafik Hariri ou o presidente Bashir Gemayel. Se perguntar de um paquistanês, será a premiê Benazir Butho. Dificilmente você responderá o nome de uma pessoa que foi assassinada em um assalto. É natural que isso ocorra. Afinal, são crimes diferentes. As pessoas citadas acima foram mortas por motivações políticas e ideológicas (no caso de Kennedy, é mais complexo). Yigal Amir, por exemplo, não mataria Rabin caso ele não fosse um pacifista premiê de Israel que negociava um acordo de paz com os palestinos.

Ao que tudo indica, Marielle Franco foi executada com o motorista Anderson Gomes por motivações políticas em uma situação similar à dos líderes políticos citados acima. O objetivo era calar esta jovem vereadora carioca. Naturalmente, muitas pessoas ficam revoltadas e a dimensão do ataque aumenta por ser um atentado contra a democracia. Se ela houvesse sido morta em um assalto, haveria repercussão, mas também seria encarado como mais um episódio de violência no Brasil, uma nação onde que tem mais mortos em números absolutos do que todos os países do Oriente Médio e Norte da África, com a exceção da Síria e, proporcionalmente, a Síria e o Iraque. Supera o Yemen e a Líbia, que estão em guerra civil.

Semanas atrás, um jornalista que investigava corrupção no governo foi assassinado na Eslováquia. Centenas de pessoas saíram às ruas para protestar. A movimentação culminou na queda ontem do premiê eslovaco. Um assassinato comum, em um assalto ou briga de trânsito, não teria a mesma repercussão. Afinal, o jornalista foi morto por motivações políticas.