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Como uma cristã palestina vê o conflito contra Israel?

gustavochacra

20 de abril de 2015 | 11h55

Existe uma ideia errada de que a Autoridade Palestina e o Hamas representem o pensamento da população palestina. Isto é, de que um palestino apoiaria o governo de Mahmoud Abbas na Cisjordânia ou o regime do Hamas na Faixa de Gaza. Na verdade, embora haja uma parcela que apoie sim uma destas organizações, muitos palestinos simplesmente não se sentem representados.

Seria, de uma certa forma, como ocorre no Brasil com o PSDB, PT e mesmo outros partidos. Muitos brasileiros não gostam ou não concordam com nenhuma destas facções políticas. Nos EUA, o mesmo ocorre com o elevado índice de independentes se comparados a democratas e republicanos.

Nesta semana, me encontrei com uma amiga palestina que se mudou para Nova York. Ela é cristã de Jerusalém e, embora tenha cidadania israelense, faz questão de se descrever como palestina e se irrita quando associam o que ela diz ser seu país, a Palestina, ao islamismo. Politizada, disse não gostar da Autoridade Palestina e muito menos do Hamas. Tampouco suporta a ocupação israelense dos territórios palestinos. Segundo ela, o cenário na Cisjordânia tem sido o seguinte – muçulmanos ficando mais religiosos do que uma geração anterior (a não ser por uma bolha chamada Ramallah), cristãos indo embora para o exterior e assentamentos judaicos, considerados ilegais pela ONU, EUA e União Europeia, crescendo.

E o que os palestinos querem? Os mais velhos, segundo ela, ainda sonham com um Estado ou estão resignados ao status quo. Entre os mais novos, há uma total desilusão que pode culminar no radicalismo ou, mais provável, na defesa de um Estado único. Isto é, começarão a pedir cidadania israelense, abdicando de um Estado palestino. Inclusive, isso já começou (o próprio filho do Abbas disse ao New York Times ser a favor de um Estado binacional). Seria, claro, o fim de Israel como Estado judaico.

Entre os cristãos, há uma preocupação grande com o aumento da religiosidade dos muçulmanos e dos judeus, especialmente em Jerusalém. “Nem a parte Ocidental nem a Oriental eram tão religiosas como hoje, mesmo se você comparasse com uma década atrás”, disse. Em Tel Aviv, Haifa, Nazaré e Ramallah, o cenário é bem melhor.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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