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Construindo Romney e destruindo Obama

gustavochacra

28 de agosto de 2012 | 16h33

No passado, as convenções partidárias eram um dos grandes momentos das eleições, quando os candidatos lançavam oficialmente a campanha e recebiam uma ampla cobertura da imprensa. Seus índices nas pesquisas de intenção de voto costumavam subir. O evento era quase sempre positivo para uma candidatura.

Com os canais de notícias de 24 horas e os inúmeros sites voltados apenas para a política, porém, a tarefa dos candidatos de tentar ditar a agenda se tornou bem mais difícil. Uma gafe, em alguns casos, passa a ter um valor bem maior do que um discurso oficial no palanque da convenção, que, no caso republicano, acontece em Tampa, na Flórida.

Para complicar, neste ano, um furacão atrapalhou a organização da convenção. Além disso, embora Mitt Romney seja o candidato, as atenções serão divididas também com o vice Paul Ryan e o governador de Nova Jersey, Chris Christie. Político republicano mais popular nos EUA atualmente com seu jeito espontâneo e polêmico, ele será o responsável pelo discurso de introdução.

Talvez, o foco em Christie e Ryan seja justamente uma estratégia para mostrar que esta não é uma disputa entre Romney e Obama, mas entre duas idéias diferentes de país, de acordo com os republicanos. O partido opositor adotou uma narrativa de que a eleição coloca de um lado os defensores do livre mercado e menos impostos e, de outro, a administração Obama, com uma maior presença do Estado na economia.

O Partido Republicano sabe também que Barack Obama possui a vantagem de ser uma figura carismática e popular no país. Para superar este obstáculo, através dos Super PACs, como são chamados os fundos de campanha sem ligação oficial aos candidatos, os conservadores tentarão destruir a imagem do presidente. Uma série de comerciais negativos irão ao ar nos próximos dias.

Já Romney permanece sendo um pouco desconhecido de muitos eleitores. Seu impressionante sucesso profissional, na área de Private Equity, é difícil de ser entendido pelo americano médio. Sua administração em Massachusetts foi extremamente moderada para os padrões republicanos, o que poderia espantar eleitores do Tea Party. Por último, o candidato é mórmon, uma religião que ainda sofre preconceito entre os americanos.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

no twitter @gugachacra

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