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Crianças palestinas não são educadas para odiar Israel

gustavochacra

04 de fevereiro de 2013 | 18h03

Um estudo realizado por acadêmicos judeus, cristãos e muçulmanos, de Israel e da Palestina, indica que, ao contrário de afirmações anteriores, não há pregação de ódio nos materiais didáticos palestino e israelense.  Os dois lados, porém, adotam narrativas unilaterais sem mostrar muitos pontos do adversário, quase sempre descrito como inimigo.

Fica claro portanto que, de acordo com este estudo, os palestinos não são educados para odiar os israelenses e os estudantes de Israel não são educados para odiar os da Palestina. Simplesmente, segundo o estudo, isso não existe, por mais que as pessoas de ambos os lados queiram dizer o oposto, muitas vezes através de propaganda.

Agora, por outro lado, muitos palestinos realmente odeiam israelenses e vice-versa, pregando este ódio por outros meios para as suas crianças. Isso se deve em grande parte às narrativas distintas dos acontecimentos na região.  Este é o maior problema. Ontem mesmo encontrei em  Nova York uma mulher israelense nascida no Iraque. Dezenas de milhares de judeus viviam em Bagdá. Hoje não tem mais nenhum. E, no mundo árabe, muitos jovens não sabem da expulsão de judeus de seus países. Acham que apenas os palestinos são refugiados. Muitos deles falam frases anti-semitas com a maior naturalidade.

O inverso também ocorre. Recentemente, em São Paulo, uma amiga minha judia insistia que os pais palestinos usam seus filhos como escudos humanos. Expliquei para ela que isso não ocorre e nenhum pai quer ver o filho morrer. Mas não adianta. Ela apresentava argumentos equivocados, e muitos vezes islamofóbicos (ela não sabia que existem palestinos cristãos), mesmo sem perceber, para dizer que os palestinos gostam de ver suas crianças morrerem.

Infelizmente, às vezes, narrativas mais radicais, mesmo sem pregar o ódio, acabam provocando o ódio em pessoas que não gostariam de odiar. Isso não é uma particularidade de israelenses e palestinos. Ocorre em todo os lugares do mundo onde há disputas. Apenas depois de um processo de paz, acaba havendo um maior entendimento do outro lado. 

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios


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