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Cristãos árabes lutam para não desaparecer no Oriente Médio

gustavochacra

09 de novembro de 2008 | 19h15

Os cristãos árabes lutam para não desaparecer no Oriente Médio. Mas, a cada dia que passa, o cenário fica mais complicado para maronitas, melquitas, grego-ortodoxos, assírios, armênios (católicos e ortodoxos), cooptas, caldeus e qualquer outra denominação cristã desta região onde nasceu o cristianismo.

No Iraque, eles são vítimas de perseguição desde a queda de Saddam Hussein. O então ditador iraquiano, que era secular, tinha entre os seus aliados mais próximos muitos cristãos caldeus, inclusive seu vice, Tariq Aziz. Com a guerra e os ataques contra igrejas e cristãos, a maior parte deles teve que se refugiar em outros países.

Os cristãos da Síria – ortodoxos em sua maioria – representam apenas 10% da população. Eles convivem bem com o regime de Bashar al Assad. O bairro cristão de Bab Touma ainda é o mais agitado de Damasco. Porém a falta de perspectivas econômicas tem levado muitos deles a imigrar. Fenômeno similar ao do Líbano. Estima-se que a parcela da população libanesa seguidora do cristianismo, antes majoritária no país dos cedros, se reduziu para cerca de um terço. É verdade que o cargo de presidente ainda é reservado aos cristãos-maronitas. Mas as principais forças políticas libanesas atualmente são compostas por sunitas ou xiitas. Os cristãos são meros coadjuvantes.

Em outros países com cristãos no Oriente Médio a situação também é complicada. Confrontos entre cooptas (cristãos do Egito) e muçulmanos se tornam cada dia mais comuns em Alexandria e no Cairo. Famílias cristãs palestinas, com maior facilidade para conseguir passaportes estrangeiros, desistiram de lutar contra a ocupação israelense e partem em massa para a Europa e países como Chile e El Salvador. Também se revoltam com checkpoints de Israel que dificultam a ida a missas em cidades como Belém e Jerusalém.

Muitos cristãos árabes hoje vivem no Brasil, Estados Unidos, Canadá, Austrália e França. Ainda são a primeira, segunda ou terceira geração na diáspora. Mas, em breve, a ligação com o Oriente Médio ficará apenas no sobrenome, sem muita consciência da importância de Nossa Senhora Harissa em Jouneih, das igrejas de Batrun, dos mosteiros do Monte Líbano, das belas cidades sírias de Malula e Sadnaya e de vários outros símbolos cristãos, como, obviamente, as Igrejas da Natividade, onde tudo começou, e a do Santo Sepulcro, onde terminou.

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