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Cristãos palestinos provocam briga da rede de TV CBS dos EUA com embaixador de Israel

gustavochacra

24 de abril de 2012 | 12h43

no twitter @gugachacra

Os cristãos palestinos deixam cada vez em maior número o que hoje Jerusalém, Cisjordânia e Gaza não por causa do extremismo, mas devido à ocupação israelense dos territórios ou por serem alvo de preconceito. É o que já escrevi diversas vezes e foi repetido nesta reportagem do 60 Minutes, programa mais importante da CBS, uma das maiores redes de TV dos EUA.

Veja o programa aqui

Eles entrevistaram praticamente todas as autoridades religiosas cristãs da Palestina e também empresários, incluindo o dono da Coca-Cola na Cisjordânia, que é cristão e disse nunca ter escutado uma história de alguém ter deixado o território por ser perseguido por muçulmanos, mas apenas pelos obstáculos impostos pela ocupação israelense.

O embaixador de Israel foi entrevistado e deu a sua versão, imediatamente repudiada por cristãos palestinos e árabe-israelenses. E, em um revés que demonstra o enfraquecimento das relações públicas da administração de Benjamin Netanyahu, foi desafiado no ar pelo âncora do programa, Bob Simon.

O apresentador, que é um dos mais respeitados dos EUA, disse na cara do diplomata israelense que nunca havia recebido uma reclamação sobre uma matéria antes de colocá-la no ar. Mas, segundo ele, Michael Oren, o embaixador, ligou mesmo antes de ver o programa para o presidente da CBS reclamando. “Foi a primeira vez que isso aconteceu na minha carreira”, disse Simon.

E, por favor, não venham me dizer que eu nunca falo da perseguição aos cristãos no mundo árabe. Há uma série de posts sobre o assunto neste blog. Já fiz reportagens de Beirute, Damasco, Cairo e Jerusalém sobre a situação do cristianismo na região. Já escrevi que eles passaram a ser alvo de ataques depois da queda de Saddam Hussein no Iraque. Insisto que os coptas são tratados como cidadãos de segunda classe no Egito. Afirmo que eles tem medo da queda de Assad na síria porque temem um regime islâmico no lugar. Apenas no Líbano, eles ainda ocupam uma posição proeminente, com o cargo de presidente e metade do Parlamento apesar de hoje serem uma minoria. Em tempo, sou neto de cristãos árabes libaneses.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios


 

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