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Da Barnes&Noble ao Belas Artes – A livraria de NY e o cinema de SP

gustavochacra

22 de janeiro de 2011 | 13h56

No dia 2 de janeiro deste ano, o porteiro do meu prédio em Nova York me disse “hoy se cierra la libreria”. Era o fim da gigantesca Barnes&Noble do Lincoln Center, uma das maiores livrarias de Nova York. Seria como se a Cultura da Paulista fechasse. Localizada diante de um dos maiores complexos culturais do mundo, era frequentada pela elite intelectual do bairro.

Às 7h da noite, visitei pela última vez a loja que havia se tornado meu destino obrigatório ao longo dos últimos seis anos, a não ser pelos períodos em que estava viajando pelo Oriente Médio ou visitando a minha família no Brasil. Não sabia que livro comprar. Liguei para uma amiga. “On the Road”, foi a dica dela. Comprei. E esperei dar oito horas.

“The time is 8 pm and Barnes&Noble is closed forever. Thank you costumers for the last 15 years”, disse algum funcionário pelo sistema de som. Era o fim de uma livraria. Certamente, a primeira de muitas. Ironicamente, era a Barnes&Noble que, ao ser inaugurada 15 anos atrás, serviu de inspiração para o filme You’ve got a mail, com a Meg Ryan, de 1998. Na época, a abertura desta gigantesca livraria provocou o fechamento de outras menores.

Desta vez, nem os mais fortes sobreviveram. Não dava. A maioria dos visitantes era como eu. Lia as revistas de graça enquanto tomava café, observava os livros e depois os comprava para o iPad, Kindle ou Nook. Verdade, ainda há outras Barnes&Noble. Mas, certamente, em não muitos anos, sobrará apenas a Strand Books no Village.

Vi que no Brasil houve a polêmica Cine do Belas Artes. Aqui em Nova York, os cinemas seguem firmes. Outro dia, entrei na sala errada no cinema e assisti por acaso a um fantástico filme do Elia Suleiman, um cristão palestino de Nazaré, chamado The Time That Remains. Conta a história de ativista dele e do pai, com bom humor e sem ser opinativo. Como disse a New Yorker, vale a pena ver se você sabe tudo de Oriente Médio ou se não sabe nada.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen e eleições em Tel Aviv, Beirute e Porto Príncipe. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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