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Da Berkeley a USP – Nos EUA, universidades públicas são pagas; no Brasil, gratuitas. Por que?

gustavochacra

28 de agosto de 2010 | 11h39

Os leitores estão reunidos em um bar da Vila Madalena, mas eu estou bem longe, em Nova York. Uma pena. O encontro reúne pessoas de 18 a mais de 80 anos, de ateus a judeus, de cristãos a muçulmanos, de palmeirenses a santistas, de corintianos a são-paulinos.

E, aqui dos EUA, decidi hoje questionar um tema que é tabu no debate político brasileiro. Por que a universidade pública é gratuita? Entenda, não questiono a existência de universidades públicas, mesmo porque meus pais são professores da Escola Paulista de Medicina (atual Universidade Federal de São Paulo). Apenas quero entender por que “público” precisa ser sinônimo de “gratuito”.

Uma resposta simples seria a de que pagamos impostos e os alunos teriam direito à educação superior. Justo, mas não é melhor focar na educação básica ou em pesquisas? A universidade não poderia ter ainda mais recursos com os alunos pagando mensalidade?

Nos Estados Unidos, as universidades públicas não são gratuitas. Os alunos precisam pagar uma anuidade. Se o estudante for do próprio Estado da instituição, pagará cerca de 10% do custo que pagaria se fosse a uma universidade privada. Caso seja estrangeiro, continuará pagando menos, mas a uma proporção bem menor. Um sistema parecido poderia ser usado no Brasil.

Alunos sem condições de pagar podem receber bolsa. Certamente, o percentual na USP seria elevado. Agora, todos nós sabemos que na Poli, São Francisco, FEA e Pinheiros há estudantes que pagaram fortunas durante a vida em educação particular e cursinhos. Passarão alguns anos às custas do governo e depois irão ganhar dinheiro na iniciativa privada. Como no Brasil não tempos tradição de doação, eles tampouco construirão uma biblioteca ou dormitórios para a USP, como é comum nos EUA.

Para completar, os estudantes valorizam menos algo que é gratuito. Em vez de se formarem em quatro anos em um curso de filosofia, chegam a passar seis, sete anos às custas do governo. Se pagassem, tentariam concluir a faculdade o mais rapidamente possível para evitar gastos adicionais. Sem falar naqueles como eu, que acabam abandonando os cursos – eu larguei as faculdades de economia e de ciências sociais da USP. Será que faria o mesmo se tivesse pago dois anos de mensalidade? Certamente não.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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