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Da fita-cassete ao MP3 – Aniversário do iPod coincide com funeral do Walkman

gustavochacra

25 de outubro de 2010 | 09h50

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Hoje pode ser um dia de nostalgia para muitos trintões e quarentões ao redor do mundo. No dia do aniversário de nove anos do iPod, produzido pela rival Apple, a Sony anunciou que o walkman na sua versão de tocador de fitas cassete não será mais fabricado.

O anúncio da empresa de eletrônicos japonesa determina praticamente o fim de um produto que marcou uma geração de jovens e adolescentes que cresceram nos anos 1980. Lançado em 1979, o walkman revolucionou a forma de ouvir música. As pessoas, com seus fones de ouvido, passaram a escutar suas canções prediletas enquanto praticavam cooper, andavam de bicicleta Monark ou Calói, viajavam no banco de trás do carro Variant ou da Belina para a praia ou esperavam pelo metrô. Além, claro, de serem assaltadas por trombadinhas.

Nos anos 1990, as fitas cassete começaram a perder espaço para os tocadores portáteis de CDs, que deram o primeiro golpe nos walkmans. Com a chegada dos tocadores de MP3, o walkman, capaz de transportar no máximo duas dezenas de músicas, passou a concorrer com os iPods e outros produtos com capacidade de armazenar milhares de canções. A sentença de morte estava decretada.

Além de possuir apenas um fração das músicas disponíveis nos MP3, o walkman se tornou gigantesco diante de seus concorrentes. Em uma propaganda dos anos 1980 , a Sony exibe o “menor tocador de música” do mundo, que era maior do que a mão de um adulto. O ipod Nano, menor MP3 do mercado, mede menos de uma polegada e meia.

A idéia de lançar o walkman, que de uma certa forma pode ser considerado o precursor dos iPods, partiu dos executivos da Sony nos anos 1970. Eles queriam um produto no qual pudessem escutar música enquanto viajavam para trabalho. Para responder à exigência, os engenheiros da empresa criaram o modelo TPS-L2, introduzido primeiramente no Japão e, no ano seguinte, nos EUA. Ao longo dos 31 anos em que esteve no mercado, o walkman teve cerca de 220 milhões de unidades vendidas – mais do que a população brasileira.

Atualmente a Sony ainda usa o nome “walkman” para alguns de seus tocadores de MP3, mas a marca ficou associada ao toca-fitas. Muitos devem ficar saudosistas com o fim de um produto que se tornou célebre em filmes como “De Volta para o Futuro”. Ao mesmo tempo muita gente deve estar surpresa ao saber que ainda fabricavam walkmans – sem falar nos mais jovens que não devem ter ideia do que estou falando. Afinal, quase uma década depois do iPod, quem seriam as pessoas que ainda compram um toca-fitas? Até entendo o vinil, que vem batendo recordes de venda com novos adeptos por causa da qualidade do som. Mas a fita-cassete é inútil.

Falando em walkman, ontem, aqui de Nova York, li que meu Palmeiras perdeu do Corinthians. E lembrei imediatamente dos rádios de pilha que as pessoas colocavam no ouvido para ouvir a partida. Também desapareceu sem deixar rastros. Ficou apenas a imagem de outros tempos, quando era impossível acompanhar uma partida de futebol a milhares de quilômetros de distância.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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