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Dá para fazer uma ligação entre os atentados no Kuwait, Tunísia e França?

gustavochacra

26 de junho de 2015 | 10h26

Hoje ocorreram três atentados terroristas. Um na Tunísia, com 27 mortos. Um na França, com um morto. E um no Kuwait, com 13 mortos. São três nações que, ao contrário da Síria e do Iraque, não estão em guerra. São estáveis, com diferentes graus de democracia.

A França é uma das mais tradicionais nações democráticas do Ocidente. A Tunísia se tornou um país democrático durante a primavera árabe. O Kuwait é uma monarquia constitucional que, ao contrário das tiranias monárquicas ao seu redor, possui um Parlamento eleito democraticamente.

Aparentemente, os três ataques foram inspirados pelo ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh. Não teria sido diretamente o grupo (a não ser no Kuwait, talvez) pois este não possui atuação clara fora da Síria e do Iraque, a não ser, em escala mínima, na Líbia.

Se os algozes podem ter similaridades, as vítimas não têm. No Kuwait, os alvos foram membros da minoria xiita; na Tunísia, turistas, incluindo estrangeiros; na França, a pessoa que estava na hora errada no lugar errado. No Kuwait, os xiitas faziam as orações do Ramadã em uma mesquita; na Tunísia, aproveitavam as férias de verão no Mediterrâneo; na França, trabalhavam.

Na década passada, os atentados terroristas eram organizados pela Al Qaeda e tinham uma potencialidade bem maior, como vimos no 11 de Setembro, nos metrôs de Londres, nos trens de Madri e na boate em Bali. Agora, são banalizados. São os lobos solitários, com uma ligação tênue a grupos terroristas como o ISIS e mesmo a Al Qaeda.

O terrorismo virou como aquele trombadinha que mata para roubar um celular. Está banalizado. Quando o crime fica banalizado, como no Brasil ou no México, a pessoa mata para roubar. Não há um código como a Máfia italiana ou de Nova York, que matava, mas jamais por uma carteira. E estas tinham uma estrutura, sendo mais simples para as autoridades de segurança combater do que os trombadinhas que agem sozinhos sob efeito de drogas.

É isso que tem acontecido com o terrorismo. As organizações não planejam mais mega atentados por meses, treinando os terroristas. Hoje, lobos solitários decidem matar de uma hora para a outra, com base em uma ideologia imbecil, seja esta do wahabismo ou da supremacia branca.  Não á fácil combater esta forma de terrorismo. A outra forma do terror, dos grandes atentados, vem sendo derrotada.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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