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Dá para levar a sério a eleição na Síria?

gustavochacra

22 de abril de 2014 | 10h19

Não, não dá para levar a sério, conforme afirmei no meu comentário no Jornal das Dez da Globo News de ontem. Uma série de obstáculos impostos pelo regime impedem que opositores sérios disputem a eleição contra a Bashar Al Assad. Ao mesmo tempo, precisamos levar três pontos em consideração.

Primeiro, dá para realizar eleições em países em guerra. Acabou de acontecer uma no Afeganistão e também já foram realizadas no Iraque. Ambas tiveram o apoio dos EUA. O regime também controla os principais centros populacionais, embora partes de Aleppo e de Homs ainda estejam nas mãos de rebeldes.

Em segundo lugar, mesmo se houvesse eleições genuinamente democráticas, Assad seria favorito. Parte da população o odeia, parte o ama e parte, mesmo não gostando dele, acha que seria a sua única opção neste momento devido ao radicalismo da oposição. Isso inclui tanto as minorias cristãs, alauítas e drusas, assim como as classes médias sunitas mais laicas. Lembrem também que muitas pessoas gostam de regimes autoritários, como pode-se ver com Pinochet no Chile anos atrás.

Por último, a Síria certamente não é democrática. Mas ninguém reclamou que, há uma semana, a Argélia realizou uma eleição não democrática para manter no poder o Bouteflika, no comando do país há mais tempo do que Assad e teve 87% dos votos. A Arábia Saudita possui um regime geriátrico no qual poder passa de irmão para irmão e as mulheres não possuem quase nenhum direito. Nos Emirados Árabes, não se vota nem para síndico.

Eleições relativamente livres no mundo árabe ocorrem em quatro países – Líbano, Tunísia, Iraque, Líbia e, em menor escala, Yemen. E pode-se considerar como democráticos e com liberdade total o Líbano e a Tunísia.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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