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Da Terra a Marte – Em 1970, futuro inimigo dos EUA seria “marciano”, não “iraniano”

gustavochacra

16 de abril de 2010 | 09h12

Nos anos 1960, crianças americanas como Barack Obama podiam sonhar com viagens espaciais. Astronauta era a profissão mais respeitada e admirada nos Estados Unidos. Neil Armstrong tinha uma aura de um atleta olímpico misturada à de comandante militar e gênio acadêmico. Os americanos conquistaram a lua em 1969, no auge da corrida espacial. Os soviéticos haviam saído na frente, ao enviar Yuri Gagarin para o espaço.

A última missão lunar americana – a Apollo 17 – retornou à Terra em 1972. As viagens eram tão comuns que o passo óbvio seria enviar o homem à Marte em alguns anos. Conforme observamos em filmes de ficção científica, os mais otimistas da época previam que, em 2010, já teríamos enviado astronautas para fora do sistema solar, depois de passagens até mesmo por Júpiter.

Agora, ficamos sabendo que uma possível missão à Marte ocorrerá apenas em meados de 2030, segundo disse Barack Obama ontem na NASA. Mais um quarto de século, no mínimo, para o homem pisar no solo marciano. Serão 65 anos depois de o último americano ter visitado a lua. Aliás, missões lunares, pelo menos americanas, estão completamente descartadas. Com a aposentadoria dos “vintages” ônibus espaciais, os astronautas dos EUA dependerão de caronas russas para viajar à decadente Estação Espacial Internacional até conseguirem construir a cápsula Orbit, um dos poucos resquícios do programa Constelation, de George W. Bush, que foi eliminado.

Não dá para entender como o homem avançou tanto na tecnologia a ponto de termos celulares como o Iphone e delinear nosso mapa genético, e, ao mesmo tempo, ter empacado no avanço espacial. Hoje, por incrível que pareça, seria mais caro enviar o homem à lua do que em 1970. As viagens espaciais dos Estados Unidos, que conquistavam o espaço e lideravam a humanidade em busca de novos mundos e novas vidas, se transformaram em um sonho não realizado de crianças dos anos 1960. Uma delas, que ficava nos ombros do avô no Havaí para ver a chegada dos astronautas, é o atual presidente. Aparentemente, ele prefere debater temas mais terrenos, como o sistema de saúde, a recessão econômica e o Oriente Médio.

Aliás, a expectativa era de que os americanos não temessem os “iranianos” depois de derrotarem os soviéticos na corrida espacial, mas os marcianos. Aliás, no fim, apesar da arrasadora derrota na Guerra Fria, os russos retomaram a liderança nas viagens pelo universo. Em uma disputa de terceira divisão, se comparada aos anos 1960, mas líder de qualquer forma.

A única chance de os EUA retomarem a dianteira e não serem o Palmeiras do espaço, com um passado de glórias e um presente medíocre, seria vingar os planos de Obama para a exploração espacial pela iniciativa privada. Talvez, a primeira viagem para Marte aconteça antes, através de alguma companhia privada, e não por meio do governo.

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Perfil (a ferramenta ao lado não funciona) – O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Leia os blogs dos correspondentes internacionais do Estadão – Ariel Palacios (Buenos Aires), Patricia Campos Mello (Washington), Jamil Chade (Genebra), Claudia Trevisan (Pequim) e Adriana Carranca (pelo mundo)

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