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Damasco vê em Obama oportunidade de retomar Golan e influência internacional

gustavochacra

07 de dezembro de 2008 | 07h43

Primeiro, gostaria de dizer que estou no Chipre e aguardem posts sobre o país. Abaixo, reportagem minha publicada hoje no Estado, escrita quando eu estava em Damasco

O resultado da eleição nos EUA fortaleceu a forma positiva de lidar com a Síria. Barack Obama sempre demonstrou vontade de dialogar com os sírios e apóia as negociações do regime de Bashar Assad com os israelenses. O principal assessor do presidente eleito para o Oriente Médio, Dennis Ross, afirmou que Israel já reconhece a necessidade de dialogar com a Síria ao manter conversações via Turquia e os EUA devem apoiar esta iniciativa. “Não o fazer seria um erro”, disse.

Em uma negociação com Israel envolvendo as Colinas do Golan, a Síria, além da devolução do território, deverá aproveitar a oportunidade para tentar a voltar a influenciar o governo libanês. Em troca do plano de paz com Israel, a revista Syria Today, publicada em Damasco, afirma que os sírios romperiam ou enfraqueceriam sua relação com o Irã e deixariam de apoiar o Hezbollah. Dessa forma, como retribuição, o futuro presidente dos EUA reconheceria que os interesses da Síria no Líbano são legítimos. De uma só vez, Assad teria as Colinas do Golan, o fortalecimento de sua presença no Líbano e o fim do isolamento internacional.

A dificuldade para a Síria seria romper com o Hezbollah e distanciar-se do Irã, que tem sido um aliado leal de Damasco nos últimos anos em que os dois países foram isolados pela comunidade internacional. O professor da Universidade de Oklahoma Joshua Landis, um dos poucos especialistas em Síria nos Estados Unidos, afirma que o regime de Damasco “não romperá com o Hezbollah, e isso é um problema”. Segundo ele, “a Síria deve ajudar Israel a alterar o cenário de segurança, mas não destruirá a organização xiita libanesa”.

O analista político sírio Sami Moubayed concorda que Assad não romperá com os aliados. “O Hezbollah e o Hamas não podem ser isolados apertando um botão. São duas organizações populares nas ruas árabes. Nenhum líder pode dizer que cortará suas relações com eles porque Israel quer. Isso seria um suicídio político”, diz o analista.

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