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Damasco voltou ao normal e é mais segura do que qualquer capital do Brasil?

gustavochacra

26 Julho 2014 | 10h27

Em Damasco, onde não houve intervenção militar da OTAN, o cenário está cada vez mais calmo e a cidade praticamente retomou a normalidade. A capital síria é mais segura do que qualquer capital brasileira. Se a Turquia não tivesse aberto as portas para os rebeldes e nações ocidentais e do golfo não tivessem armado rebeldes da oposição, muitas vezes ligados à Al Qaeda ou ao ainda mais radical ISIS, provavelmente a Síria toda, incluindo Aleppo, hoje destruída, estaria estável. Possivelmente, o Iraque também. Já a Líbia, onde houve intervenção da OTAN para mudança de regime, todo o corpo diplomático dos EUA teve de ser removido hoje. Isso menos de dois anos depois de o embaixador dos EUA ter sido assassinado. Abaixo, o relato de um amigo que acabou de voltar de Damasco. Veja a descrição.

Este fim de semana, passei 3 excelentes dias com a minha mulher em Damasco. Foi tudo ótimo: muito menos calor do que seria o normal (30C de máxima e 24C à noite); a atmosfera estava super-festiva com o Ramadã; e havia poucos tiros de canhão, sempre longe

 Impressionante como depois do Iftar (desjejum do Ramadã), as ruas de Damasco lotavam de gente. O comércio ficou todo aberto, com as pessoas sorrindo. Parecia 2010, antes da Guerra Civil.

 É um misto entre as pessoas se acostumarem com o conflito e a melhora da situação de segurança na capital. O único risco atualmente são os poucos e aleatórios morteiros lançados pelos rebeldes a partir dos subúrbios. Projéteis caseiros, na linha dos Qassam do Hamas, talvez ainda mais precários. Só te matam se caírem em você ou muito perto.

 Outro detalhe interessante: alguns poucos check-points dentro da cidade foram levantados nas últimas 2 semanas. No mais, fui ao hammam Nour Eddin, comprei uns tapetes e comi iftar no Naranj (melhor restaurante de Damasco)

Obs. O Daily Star, um dos principais jornal de Beirute e crítico de Assad, segue na mesma linha

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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