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De 1947 a 2010 – Palestinos podem copiar Israel e buscar reconhecimento da Assembléia Geral da ONU

gustavochacra

21 de outubro de 2010 | 11h21

Insatisfeita com o fracasso nas negociações com Israel, a Autoridade Palestina está disposta a ir às Nações Unidas para reivindicar seu Estado. Ao contrário do que muitos imaginam, não será no Conselho de Segurança, mas na Assembléia Geral que os palestinos terão a sua maior vitória.

Claro, pode não ter o mesmo valor prático, pois apenas decisões do conselho devem ser adotadas por todos os membros da ONU. Mas será simbólica. Afinal, não podemos esquecer que Israel também teve a sua criação na Assembléia Geral. Logo, se o Estado palestino não puder ser reconhecido por este órgão, que reúne todos os países integrantes da entidade, o de Israel também perderia legitimidade..

No CS, é quase certa a derrota palestina. Primeiro porque os Estados Unidos possuem poder de veto e não permitiriam que fosse tomada uma decisão contrária aos interesses de Israel. Poderiam facilmente argumentar que defendem a solução de dois Estados desde que seja negociada.

A China, apesar de mais próxima dos palestinos, talvez não apoiasse a criação unilateral porque poderia incentivar separatismos internos em seu território. Como impedir o Dalai Lama de ir ao CS exigir a independência do Tibete? A Rússia também lida com regiões em busca da independência, mas poderia se vingar dos americanos depois de Kosovo da Sérvia – um episódio próximo dos palestinos.

A França e a Inglaterra talvez optassem por se abster. Não tem muito como afirmar com certeza como atuariam hoje. Os membros não permanentes têm pouca importância e uma série de fatores determinariam as suas posições.

Já na Assembléia Geral, a vitória dos palestinos será esmagadora. E Israel ficará praticamente sem argumentos contra. Dizer “não reconhecemos a decisão da Assembléia Geral”, como afirmei acima, significaria não reconhecer justamente Israel.

Independentemente do que for decidido, os palestinos continuam sendo o único povo sem Estado e sem cidadania do mundo. Podem dizer que a Cisjordânia seja de Israel, que não existem palestinos, mas os seres humanos que habitam cidades como Nablus, Belém, Ramallah, Jericó, Hebron, Jenin (chamem estas pessoas do que quiserem) e outras centenas de vilas precisam ser cidadãos de algum lugar. Pode ser de Israel ou de um outro país. Mas o mundo de hoje não tolera mais o status quo.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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