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De 1981 a 2011 – O renascimento do New York Cosmos, o segundo time de Pelé

gustavochacra

22 de julho de 2011 | 13h01

 
O New York Cosmos deve disputar a Major League Soccer, como é conhecido o campeonato americano de futebol, daqui a dois ou três anos e já iniciou uma ampla campanha de marketing para tentar voltar a ser o time mais popular dos Estados Unidos, como 30 anos atrás.
 
Conhecido por ser a única equipe além do Santos e da seleção brasileira onde Pelé jogou, o Cosmos começou a vender camisas vintage verdes e brancas (eu comprei e é ótima a sensação de ver Pelé no “alviverde”)  do time com o nome do atleta do século nas costas em lojas de esportes de Nova York, assim como outros souvenires ligados ao clube. Em breve, será possível também adquirir estes produtos no site da equipe.
 
“Nós pretendemos ser o próximo time a integrar a Major League Soccer”, disse Joe Fraga, diretor-executivo do Cosmos, em entrevista para mim. “Este é o nosso objetivo. Mas poderemos fazer parte apenas depois de 2013, quando se encerra a exclusividade do Red Bulls como a única equipe de Nova York”, afirma.
 
De acordo com Fraga, “a previsão mais realista seria 2014”, porque, segundo o regulamento da MLS, todos os times precisam ter um estádio próprio. “Estamos procurando um terreno em uma das cinco regiões de Nova York”, disse o diretor do Cosmos, se referindo a Manhattan, Queens, Bronx, Brooklyn e Staten Island. Desta forma, ele buscará ser mais ligado à cidade, uma vez que o Red Bulls, apesar de adotar a designação “New York”, tem a sua sede em um subúrbio no Estado de Nova Jersey.
 
Este novo Cosmos porém não deverá ser uma seleção de estrelas como nos tempos de Pelé, quando reuniu alguns dos maiores jogadores da época. “Não seria adequado se levarmos em conta a economia de hoje. Além disso, existe um teto salarial e podemos contratar apenas dois jogadores acima disso”, diz Fraga.
 
Pelé também faz parte do projeto e tem o posto de presidente honorário do Cosmos. Já Carlos Alberto Torres, que também é ex-jogador do time, começou a ser usado em uma ampla campanha da Umbro chamada “New York Cosmos Black Out”, lembrando a história do apagão de quando o capitão da seleção brasileira tri-campeã do mundo chegou a Nova York para assinar contrato em 1977. Aquele foi um dos dias mais violentos da história da cidade e simbolicamente representa o time.
 
Além do retorno do time aos campeonatos e das campanhas de marketing, nos últimos três anos tem sido organizada a Copa Cosmos, com a participação de crianças de diferentes comunidades internacionais de Nova York. O Brasil ficou de fora das quartas de final, que conta com os jovens descendentes de ingleses, gregos, haitianos, irlandeses, mexicanos, senegaleses, jamaicanos e poloneses. “Queremos descobrir talentos neste torneio e também criar uma torcida”, disse Fraga, afirmando que apenas o Yankees (baseball), das diferentes equipes esportivas de Nova York possuía mais torcedores do que o Cosmos nos anos 1970. Um dos focos será o Brasil, considerado um dos principais mercados potenciais do time, ao lado da Inglaterra.
 
Além disso, o Cosmos conta já com um torcedor cativo. O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, é um dos maiores entusiastas do time, “dando todo o apoio necessário”, sendo também um grande fã de Pelé. No ano passado, o político e o ex-jogador fizeram a premiação da Copa Cosmos. Em agosto, em uma partida em homenagem a Paul Scholes, a equipe do Cosmos, que disputa ligas menores nos EUA enquanto se prepara para a MLS, enfrentará o Manchester United na mítico estádio Old Trafford, na cidade inglesa.

O New York Cosmos é uma história à parte do futebol nos Estados Unidos, que se desenvolveu na última década. A equipe feminina é vice-campeã mundial e medalha de ouro na Olimpíada e com uma seleção masculina que chegou a eliminar a Espanha, campeã do mundo, na Copa das Confederações em 2009.
 
Fundado nos início dos anos 1970, o Cosmos foi uma iniciativa de Steve Ross, então presidente da Warner. Mas o time enfrentava dificuldades para crescer em um esporte praticamente ignorado nos EUA. As partidas eram disputadas para algumas dezenas de pessoas em campos esquecidos no país. Foi quando assessores do empresário das comunicações tiveram a idéia de contratar Pelé.
 
Na maior negociação do futebol na época e que contou com a ajuda até mesmo do então secretário de Estado Henry Kissinger, o maior jogador do mundo foi contratado no início de 1975, dando início à época áurea do Cosmos. Seu salário de US$ 1,5 milhão (US$ 6 milhões) superava o das estrelas do baseball, do futebol americano e do basquete.
 
A estréia de Pelé foi transmitida pela CBS, uma das maiores redes de TV dos EUA. As partidas do Cosmos passaram a ser disputadas no estádio do Giants, chegando a reunir 70 mil espectadores. Sem conquistar um título, a equipe acabou contratando outros jogadores, como Carlos Alberto Torres e Beckenbauer.
 
Porém foi o italiano Chinaglia que rivalizaria com Pelé e, de uma certa forma, transformaria a história do time. Maior goleador do clube, ele jogou no Cosmos no seu apogeu de sua carreira. Seu jeito emotivo encantou os torcedores, especialmente a gigantesca comunidade italiana de Nova York.
 
Com a aposentadoria de Pelé em 1981, Chinaglia passou a reinar sozinho. Mas o futebol começou a perder espaço e deixou de ser exibido em rede aberta pela ABC, que havia adquirido os direitos. A maior parte dos clubes começou a ter prejuízo. No fim, o time de Nova York também fechou as portas.
 
A marca acabou nas mãos de Peppe Píton, que, conforme relata o documentário “Once in Lifetime”, sobre a história do Cosmos, era uma figura nebulosa ligada a Chinaglia. Por anos, ele se recusou a vender os direitos de usar o nome, mas acabou chegando a um acordo com um consórcio inglês.
 
Atualmente, as pessoas mais com mais de 40 anos ainda se lembram do Cosmos em Nova York, quando a cidade era bem mais violenta do que atualmente. Jogadores como Mia Hamm, maior jogadora da história dos EUA, e Alex Lalas, da seleção de 1994, dizem ter decidido jogar futebol depois de terem assistido ao Cosmos

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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