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De Al Capone a Bin Laden – Os estereótipos da Máfia “Italiana” e do Terrorismo “Islâmico”

gustavochacra

21 de janeiro de 2011 | 14h28

Décadas atrás, ser italiano era sinônimo de mafioso nos Estados Unidos. Conforme vimos ontem, a Máfia não acabou em Nova York. Cerca de 130 membros das cinco grandes famílias foram detidos. Mas ninguém usa a expressão mais de “estes italianos mafiosos”. Até mesmo porque o governador do Estado, Andrew Cuomo, e o ex-prefeito Giuliani têm origem na Itália.

O mesmo deveria valer para o terrorismo cometido pela Al Qaeda. Devem culpar a organização terrorista, não uma religião ou uma determinada origem. É inacreditável que, nos dias atuais, ainda julguem as pessoas baseando-se na religião ou na origem étnica delas.

Ser muçulmano não implica ser terrorista. Ser árabe, tampouco. Ser italiano não é sinônimo de ser mafioso. Nem todo bilionário russo é criminoso. Os americanos sabem bastante do resto do mundo – quantos centros de estudo dos EUA existem em São Paulo ou no Rio e quantos centros de estudo brasileiros existem em Nova York ou Washington?

Mais importante, nem todos israelenses odeiam palestinos. E nem todos palestinos odeiam israelenses. A rivalidade entre estes dois povos tampouco é milenar. Existe há menos de um século. Muitos israelenses discordam da ocupação da Cisjordânia. Muitos palestinos discordam dos ataques de foguetes do Hamas.

No blog, cansei de ler comentários de pessoas dizendo “os muçulmanos”, “os judeus”. Quais muçulmanos? Quais judeus?

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen e eleições em Tel Aviv, Beirute e Porto Príncipe. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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