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De Albany a Jerusalém – A eterna discussão sobre as capitais

gustavochacra

26 de agosto de 2010 | 08h17

Vim para Albany, capital do Estado de Nova York. Sei que muitos fanáticos por Almanaque Abril como eu sempre souberam que a cidade de Nova York não era capital do próprio Estado. Assim como Miami e Orlando não são capitais da Flórida. Tampouco Dallas e Houston do Texas. Pior, a da Califórnia não é San Francisco, nem Los Angeles, nem San Diego. Cidades menores como Tallahassee (Flórida), Austin (Texas) e Sacramento (Califórnia) ocupam, assim como Albany, o posto de capitais.

Alguns países, incluindo o Brasil e os EUA, possuem capitais que não são as principais cidades. Canadá e Austrália são outros dois.

Por este motivo, não sei por que dão tanta importância para a polêmica de Jerusalém ser a capital de Israel ou do futuro Estado palestino. Na prática, Jerusalém já é a capital israelense. O Knesset e todos os prédios governamentais estão construídos há décadas e em funcionamento. Verdade, os outros países não reconhecem e ainda mantêm as suas embaixadas em Tel Aviv. Mas o próprio Lula se reuniu com Netanyahu em Jerusalém e isso de uma certa forma já pode ser considerado reconhecimento.

A capital de facto dos palestinos, devido à ocupação e outros fatores, é Ramallah. Nesta emergente cidade da Cisjordânia, está localizada a administração da Autoridade Palestina e todas as missões estrangeiras.

Nas negociações entre israelenses e palestinos, um lado terá que ceder na questão dos assentamentos (Israel) e o outro na dos refugiados (Autoridade Palestina). Sobra, como grande tema, o status final de Jerusalém.

Já escrevi aqui e repito. Não dá geograficamente mais para dividir Jerusalém. Há uma série de bairros judaicos no lado palestino, incluindo a Universidade Hebraica em Mount Scopus. Visitei uma capital dividida no Chipre e não há nada mais deprimente do que ver um muro atravessando uma cidade.

A saída estaria em manter Jerusalém unificada e, apenas para agradar, como capital dos dois países. No caso, seria na prática de Israel e apenas simbólica dos palestinos, com a sede da Presidência na tradicional Casa Oriental – a administração permaneceria em Ramallah.

Os moradores, independentemente da religião, poderiam optar pela cidadania que preferissem – palestina ou israelense. Com o direito de trabalhar em qualquer lugar da cidade.

Obs. Ainda estou nesta reportagem especial e apenas terei condições de responder aos comentários mais tarde. Mas os publicarei ao longo do dia

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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