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De Bagdá a Porto Príncipe – A morte de Saddam e o retorno de Baby Doc

gustavochacra

19 de janeiro de 2011 | 23h57

Os Estados Unidos atacaram o Iraque com o argumento de que o regime de Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa. Como nada foi encontrado, passaram a dizer que era para acabar com a ditadura e instalar uma democracia no mundo árabe.

Mais de sete anos depois, o Iraque começa a dar sinais de que pode ser democrático. As instituições se consolidam, as eleições são transparentes e o novo governo tenta ser inclusivo. Longe da perfeição, ainda há uma série de atentados e a novidade da perseguição dos cristãos.

Saddam Hussein morreu depois de ser condenado à morte pela Justiça iraquiana. Agora, imaginem se Saddam tivesse aceito uma proposta nos dias anteriores à invasão e ido morar em Dubai. Assim como Ben Ali foi agora para a Arábia Saudita. E, em 2011, diante de uma suposta deterioração no cenário iraquiano, decidisse retornar.

Foi mais ou menos isso que aconteceu no Haiti. Baby Doc, o sanguinário ex-ditador haitiano, voltou para Porto Príncipe. Espanta que uma figura deplorável como esta não estivesse preso. O Tribunal Penal Internacional com razão começou a processar ditadores sérvios e sudaneses. Muitos pedem a prisão de líderes de Israel, do Irã, da Síria, do Egito. Mas cadê estas pessoas na hora de pedir a prisão de Baby Doc?

Ele vivia solto na França por mais de duas décadas. E ninguém fez nada. O Baltazar Garzón tentou processar o Pinochet, mas se esqueceu do Baby Doc. Agora, talvez seja tarde demais. Mesmo preso no Haiti, o ex-ditador se torna uma sombra incômoda. Era mais fácil se tivesse sido julgado na Justiça em Haia.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen e eleições em Tel Aviv, Beirute e Porto Príncipe. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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