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De Bagdá a Trípoli – Confuso, Obama deveria ter aulas com Bush pai para agir na Líbia

gustavochacra

22 de março de 2011 | 12h23

No twitter @gugachacra

Barack Obama parece não ter um fim claro sobre a ação militar na Líbia. Ou, pelo menos, os meios que está utilizando não devem conseguir atingir o seu objetivo final – segundo ele próprio, a remoção de Muamar Kadafi. A zona de exclusão aérea, sem o uso de tropas terrestres, é insuficiente para derrubar o ditador líbio.

George W. Bush, no Iraque, foi claro ao dizer que invadiria o Iraque para eliminar o regime de Saddam Hussein. Os argumentos variaram das inexistentes armas de destruição em massa à instalação de um governo democrático. Nenhum dos dois convenceu a comunidade internacional.

Guerra bem feita foi a de George Bush pai, em 1991, no Iraque. Primeiro, ele tinha uma causa com apoio em todo o mundo, inclusive nos países árabes – o único que se posicionou contra foi Yasser Arafat e os palestinos pagaram caro por este erro de seu líder. O Iraque havia invadido o Kuwait. Ninguém podia concordar com esta atitude.

O passo seguinte de Bush foi estabelecer um objetivo. O então presidente americano decidiu que a meta seria remover as tropas de Saddam do Kuwait. Sem, porém, derrubar o regime iraquiano. Ao contrário de seu filho, ele sabia que o Iraque sempre serviu de escudo para impedir o Irã (persa) de tentar exercer influência geopolítica no Oriente Médio.

Por último, Bush organizou uma coalizão em que claramente os EUA estava na liderança. Seu filho fez o mesmo. Estrategicamente, é melhor um comando unificado. Obama entrou em uma aliança confusa, onde ninguém parece estar na liderança e militares americanos e franceses não param de divergir.

Sei que muitos brasileiros admiram Obama, apesar de eu não entender bem o motivo. O presidente americano nunca deu bola para o Brasil ou a América Latina. Ao contrário de seus antecessores, não sabe sequer espanhol ou viajou para países do continente antes de ser eleito. Também sei que muitos brasileiros acham que Obama é um presidente pró-paz. Inclusive pelo bizarro Nobel entregue a ele em 2009.

Mas vamos ver um pouco a realidade. Por um lado, Obama reduziu a presença americana no Iraque. Mas isso se deveu graças à bem sucedida política do surge implementada por George W. Bush – o próprio presidente admite o sucesso de seu antecessor, tanto que manteve o secretário da Defesa, Robert Gates, no cargo. Aliás, Obama foi além. No Afeganistão, o comandante das Forças americanas é David Petraeus, justamente o mesmo da Guerra do Iraque nos anos Bush. E as ações americanas no território afegão hoje são muito mais violentas do que na época de Bush.

Não estou dizendo que Obama esteja errado ou certo. Apenas deixando claro que ele é tão belicoso como seu antecessor. E, além disso, mais confuso do que Bush. O ex-presidente não hesitava tanto e mostrava comando.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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