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De Bagdá ao Wikileaks – Irã tenta se transformar na nova União Soviética

gustavochacra

23 de outubro de 2010 | 11h47

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O Irã e os EUA já estão em guerra no Líbano e no Iraque. Talvez, em menor escala, também em Gaza. Na Guerra Fria, observamos batalhas entre grupos patrocinados pelos americanos e soviéticos na América Latina, África e Ásia. Agora, o cenário se repete no Oriente Médio. Pelo menos é o que fica claro pelos documentos divulgados ontem pelo Wikileaks.

Apesar da grave crise econômica por que passa, o Irã arma, treina e concede abrigo a membros do Hezbollah. A organização xiita libanesa não apenas é inimiga de Israel, como também luta contra facções sunitas no Líbano, levando o país a se aproximar de uma guerra civil em alguns momentos. No Iraque, o regime de Teerã patrocinou milícias xiitas para lutarem contra as forças de Bagdá e dos EUA, conforme revelam os documentos oficiais que vazaram para o Wikileaks.

Nesta nova Guerra Fria, os americanos concentram seu apoio aos Exércitos nacionais. Armam Israel, Egito, Jordânia, Arábia Saudita e mesmo o Líbano e a Autoridade Palestina. É um embate entre os países apoiados pelos americanos contra as milícias de Teerã, incluindo no pacote também o Hamas.

Em guerras assimétricas, sabemos que guerrilhas vencem um conflito ao não perderem. Foi o que aconteceu no Líbano, em 2006, e Gaza, em 2010. Por este motivo, o Hezbollah se torna cada vez mais poderoso Beirute. Mesmo não dando as cartas na administração de Saad Hariri, de quem é rival, montou um Estado dentro do Estado e faz o que quer, até guerra. Quando tiver vontade, assume o poder no Líbano e levará os libaneses a um novo conflito civil.

O Irã tem ainda mais vantagem no Iraque. O premiê Nuri al Maliki convidou justamente o clérigo radical xiita Moktada al Sadr, inimigo dos EUA e patrocinado por Teerã, para integrar o governo. Segundo analistas, os iranianos exercem mais influência sobre o Iraque do que os americanos.

Não dá para saber se outros países da região podem se tornar palco do embate entre EUA e Irã, como ocorre no Líbano, Iraque, Cisjordânia e Faixa de Gaza. O Bahrein corre mais riscos, pela proximidade com o Irã e ter linhas sectárias não muito diferente do Iraque. Nos outros países árabes, seria bem mais complicado. Hoje, os EUA estão em vantagem na Cisjordânia, mas perdem em Gaza e no Iraque. No Líbano, prevalece um tenso empate.

O certo é que, por enquanto, a Guerra permanece fria. Mas nada impede que ela esquente em breve.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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