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De Beirute a Teerã – Os agentes do Irã e de Israel no Líbano

gustavochacra

12 de setembro de 2010 | 10h56

Sami Gemayel é um jovem político libanês de uma decadente família cristã maronita que,  até os anos 1980, teve importância. Seu tio, Bashir Gemayel, aos 34 anos, chegou à Presidência do Líbano em 1982. Depois de ser morto em atentado, membros ligados à sua organização fascista, a Phalange (Kataeb), participaram do massacre de Sabra e Chatila, que contou com o apoio de Israel. Seu pai, Amin Gemayel, se elegeu presidente no lugar do irmão e fez alianças com antigos inimigos de Bashir.

Atualmente, os Gemayel são quase irrelevantes. O ex-presidente Amin Gemayel sequer conseguiu se eleger para o posto de deputado em seu distrito, sendo derrotado pelo candidato apoiado pelo líder cristão Michel Aoun, principal aliado do Hezbollah. Sami também recebe críticas por se recusar a dizer ser árabe, se identificando como cristão maronita e fenício. Sua popularidade é quase nula. O controle do pensamento fascista da Phalange passou há anos para o líder cristão Samir Gaegea, que integra a coalizão comandada pelo premiê Saad Hariri, um sunita.

Apesar deste histórico, Sami Gemayel falou uma verdade e, infelizmente, passou a ser condenado pelo Hezbollah. Segundo o político libanês, quem colabora com o Irã prejudica tanto os interesses libaneses quanto os que colaboram com Israel. Sami está certo. A aliança do Hezbollah com os iranianos não pode ser diferenciada da que existiu entre o Exército do Sul do Líbano, uma milícia cristã e xiita, com Israel nos anos 1980 e 90. Os libaneses que espionam para o Irã em Beirute devem ser presos e condenados por traição assim como vem ocorrendo com agentes a serviço de Israel.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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