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De Beirute ao Cabo – Fora da Copa, Oriente Médio se une na torcida para o Brasil

gustavochacra

15 de junho de 2010 | 08h46

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O Oriente Médio está fora da Copa. No passado, já tivemos a participação da Arábia Saudita, Irã, Iraque e mesmo Israel. Desta vez, ninguém. Alguns até que são razoáveis no futebol. Os egípcios costumam se sair bem na Copa da África, mas são um fracasso nas Eliminatórias. Israel, que já jogou a fase classificatória pela Oceania e Ásia, hoje enfrenta a disputa na Europa, bem mais complicada.

O Iraque, em 2007, venceu a Copa da Ásia, emocionando todo o mundo árabe, ao derrotar a Arábia Saudita. Mas não conseguiu se classificar para a África. Libaneses e sírios são melhores no basquete, que aliás se refletiu nos clássicos do Sírio contra o Monte Líbano em São Paulo. Israel, com bons times como o Macabi Tel Aviv, também faz mais sucesso no esporte de Michael Jordan do que no de Pelé. Aliás, algum tempo atrás, veteranos do Sírio e da Hebraica chegaram a pensar em fazer um verdadeiro jogo da paz. Eles iriam se enfrentar em Damasco e depois Jerusalém, mas o projeto não avançou.

Na Copa, na maior parte destes países, o Brasil é o mais popular. Em Damasco e Beirute, segundo me contam, há bandeiras verde e amarelas por todas as partes. Imagino que não seja diferente em Israel, mas temos que levar em conta a população judaica argentina que imigrou na crise. Em seguida, vem os italianos, com apoio feminino. Os ingleses, argentinos e alemães também possuem seguidores nestes países. Muitas vezes, falando com árabes, descobri que o Zidane é considerado por eles como o melhor jogador de futebol de todos os tempos. Aliás, Zidane é muçulmano, mas não árabe (é berbere). Falcão, Sócrates e Zico são muito admirados por uma geração mais velha. Craques como Rivaldo e Bebeto, esquecidos no Brasil, são sempre lembrados nestes países. E, obviamente, Romário, Ronaldo e Ronaldinho. Do atual time, apenas Kaká e, em menor escala, Dani Alves.

Apesar de o Oriente Médio estar fora, temos uma zona de conflito presente. O Pacífico, que teve a tensão elevada neste ano, conta com a participação de Coréia do Sul, Coréia do Norte e Japão. Os norte-coreanos enfrentam o Brasil. Como curiosidade, vale lembrar que ditaduras já venceram Copa quatro vezes, sendo duas com a Itália nos anos 1930, uma com o Brasil em 1970 e finalmente com a Argentina em 1978.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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