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De Ben Gurion a Netanyahu – Árabes gostavam de Rabin, respeitavam Sharon e odeiam Shimon Peres

gustavochacra

20 de outubro de 2010 | 09h20

Deixei passar a data do aniversário dos 15 anos da morte de Yitzhac Rabin. Uma falha que será corrigida agora. O ex-premiê israelense, assassinado por um terrorista judaico, conseguiu demonstrar que um líder de Israel e judeu pode ser admirado no mundo árabe.

Nestas minhas viagens pela região, nunca escutei críticas a ele. Ouvi e leio constantemente elogios de autoridades árabes a Rabin. Um homem de palavra, que buscou a paz com os palestinos. Teve a coragem de entrar em um processo de paz com o inimigo, de dialogar com este inimigo, chamado Yasse Arafat.

Depois dele, Israel teve quatro premiês. Shimon Peres certamente é o mais odiado em todo o mundo árabe. Acreditem, bem mais do que Ariel Sharon e mesmo Binyamin Netanyahu. Seria o oposto de Rabin. Um covarde, na visão das autoridades destes países, que sempre disse ser a favor da paz, mas cometeu o massacre de Qana, construiu incomparavelmente mais assentamentos do que Netanyahu e, soubemos recentemente, negociou a transferência de tecnologia nuclear com a África do Sul do Apartheid.

Sharon, ainda vivo e em coma, desfrutou de respeito entre os árabes. O ex-premiê, para o bem ou para o mal, cumpria o que dizia. Falou que sairia de Gaza e saiu. Não tinha muita conversa, não enrolava e não mentia. Pelo menos, os árabes sabiam com quem estavam lidando. Teria sido a figura ideal para negociar a paz.

Netanyahu não chega a ser um Sharon. O problema maior do atual primeiro-ministro, para a as autoridades árabes, está em Bibi ser praticamente um americano e falar a língua dos EUA. Porém, diferentemente de Peres, jamais foi considerado um hipócrita. Por outro lado, não tem o respeito de Sharon.

Ehud Barak e Ehud Olmert não são muito discutidos no mundo árabe. Talvez por terem sido figuras mais fracas. Ironicamente, Olmert, apesar de ter entrado em guerra contra o Hezbollah, no Líbano, e Hamas, em Gaza, muitas vezes chega a ser considerado mais pró-paz do que Barak, que esteve próximo de um acordo com a Síria e os palestinos.

Independentemente de qualquer coisa, sabemos que Israel está bem distante de ter líderes como os do passado. Não há nenhum estadista como Ben Gurion ou Rabin na lista de possíveis dirigentes israelense. Se não for Netanyahu, será a simpática Tzipi Livni. Ou, pior, o radical Avigdor Lieberman.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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