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De Brasília a Ancara – Ameaça de sanções dos EUA ajudou Lula e sua alma gêmea turca a conseguirem acordo com o Irã

gustavochacra

17 de maio de 2010 | 08h18

No curto prazo, Lula conquistou uma vitória, assim como Erdogan, sua alma gêmea de Ancara. Os dois convenceram o Irã a aceitar um plano em que os iranianos enviariam urânio para ser enriquecido na Rússia e na França, e o receberiam de volta em troca a ser feita na Turquia. O acordo adia os esforços americanos e de seus aliados franceses e britânicos para impor novas sanções ao regime de Teerã no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

No ano passado, Ahmadinejad também chegou a concordar com a troca, mas voltou atrás. Existe o risco de o regime apenas querer ganhar tempo. Daqui três ou quatro semanas, o governo iraniano pode alegar que algum dos pontos não foi cumprido. A diferença, em relação a outubro, é que, agora, se o Irã sabotar o acordo, perderá a confiança do Brasil e da Turquia. O país ficará completamente isolado e poderia sofrer sanções ainda mais duras e com os votos de brasileiros e turcos, que são duas potências emergentes com credibilidade por não possuírem armas atômicas.

Não podemos esquecer também que a ameaça de sanções por parte dos EUA e mesmo o temor de um bombardeio israelense fortaleceram as posições de Lula e de Erdogan na negociação com o Irã. Aplicando um pouco de teoria dos jogos, sabemos que a pressão americana e de Israel forçou o regime de Teerã a ser mais propenso a negociar. Os iranianos sabiam que, sem um acordo nesta semana, seriam alvo de uma nova resolução na ONU que deterioraria ainda mais a sua economia. E os israelenses poderiam optar por uma ação militar que poderia provocar uma guerra regional. No médio prazo, este risco ainda existe.

Alguns dizem que o objetivo de Teerã é ir empurrando com a barriga a questão nuclear até atingir a capacidade de produzir um armamento, sem necessariamente fabricá-lo. Eu tendo a concordar com esta teoria. O mesmo ocorreu com a Coréia do Norte. Mas, desde ontem, Brasil e Turquia passaram ser fiscais.

obs. A Turquia já havia demonstrado a sua capacidade de negociação ao quase levar israelenses e sírios a um acordo de paz em 2008. Não sei se Lula teria ido tão longe sem os turcos. Erdogan foi mais fundamental do que o brasileiro para o Irã aceitar o plano. A Turquia é da OTAN e ainda mantém relações militares com Israel, apesar do estremecimento dos últimos anos

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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Patricia Campos Mello (Washington) – http://blogs.estadao.com.br/patricia-cam… –
Claudia Trevisan (Pequim) – http://blogs.estadao.com.br/claudia-trev… –
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