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De Brasília a Nova York – Os fracassos de Amorim e a inútil Assembleia Geral da ONU

gustavochacra

21 de setembro de 2010 | 07h51

A Assembléia Geral das Nações Unidas, que cubro pela segunda vez neste ano, não serve para nada. A não ser pelo discurso de Barack Obama e de alguns palhaços como o Kadafi, o Ahmadinejad e o Chávez, nenhuma pessoa presta atenção no que os outros dizem. Ninguém lembra absolutamente de nada que o Lula, o Sarkozy, o rei Abdullah ou qualquer outro chefe de Estado tenha falado no ano passado.

Neste ano, o presidente brasileiro, pela primeira vez em seus dois mandatos, preferiu não vir por causa da proximidade das eleições brasileiras. Muitos questionaram se ele não perderá o palco internacional para poder falar. Mas Lula não perderá porque ninguém ouviria o que ele tem a dizer. A Assembléia Geral da ONU não vale nada. É um corpo gigantesco, caro e ineficiente.

Todas as decisões relevantes são tomadas no Conselho de Segurança. O Brasil sonha em se tornar membro permanente. Foram oito anos de prioridade absoluta no governo Lula. Ontem, em entrevista coletiva, perguntaram a Celso Amorim qual o maior fracasso de seus tempos como ministro. Ele respondeu que nós, jornalistas, poderíamos dizer.

A minha lista é grande, mas certamente um dos fracassos foi gastar capital político em batalhas perdidas e se meter onde não foi chamado. O Brasil não está nem perto de se transformar em membro permanente. O México foi bem mais eficaz ao sabotar a nossa candidatura. No caso do Irã, também demos um vexame. Poderíamos ter sido como a China, que faz negócio com todo o mundo sem querer dar lição de moral. No Oriente Médio, a posição brasileira precisa ser a seguinte – “defendemos uma solução de dois Estados”. E esqueçam os outros assuntos.

Somos um gigante na América Latina. E nesta região também fizemos bobagem ao defender a bizarra figura do Manuel Zelaya. Cobri a sua deposição dele em Honduras no ano passado. O artigo 239 diz que o presidente pode ser removido do cargo e foi isso que aconteceu – verdade, ninguém fala para que apontem armas, o retirem da cama no meio da madrugada e o coloquem em um avião e isso foi lamentável. A queda, não. Zelaya desrespeitou a Constituição ao indiretamente tentar mudá-la para se manter no poder.

No ano passado, neste mesmo mês, Amorim estava aqui em Nova York e praticamente gritava que Zelaya deveria voltar ao poder. O ex-presidente havia conseguido abrigo na Embaixada do Brasil em Honduras. Não retornou ao poder, já que ninguém na Suprema Corte, no Exército e na maioria do Congresso o queria de volta em Tegucigalpa. Em eleições livres, Pepe Lobo se tornou presidente, apesar da contrariedade do Brasil. Imagino que o Amorim queria ver mais um palhaço, como o Zelaya, discursando na ONU para poder se divertir. Obviamente, as bobagens proferidas pelo Tiririca de Tegucigalpa são mais divertidas do que as do rei de Tonga, com quem o Brasil estabelecerá relações diplomáticas hoje.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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