As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

De Cabul a Gaza – O diálogo com o Taleban, Hamas e o Hezbollah

gustavochacra

18 de outubro de 2010 | 10h35

Obs. Com o horário de verão do Brasil, e o fim aqui em Nova York, ficarei três horas para trás. Os posts, obviamente, entrarão no ar um pouco mais tarde. Peço desculpas

A nova estratégia dos Estados Unidos para o Afeganistão prevê constantes ataques contra ao Taleban ao mesmo tempo que incentiva negociações do regime de Hamid Karzai com a milícia extremista.

Basicamente, quanto mais fraco for o Taleban, mais simples seria negociar com os militantes, que teriam menor poder de barganha. Faz sentido. Ignorar o Taleban seria como fingir que uma parcela da população afegã não existe.

No Iraque, David Petraeus tentou algo similar. Os EUA, junto com o governo americano, passou a pagar insurgentes sunitas para eles deixarem de lutar ao lado da Al Qaeda e colaborassem com os americanos e as tropas de Bagdá. Funcionou por três anos, mas com a retirada americana começa a enfrentar problemas – os insurgentes passaram a fazer jogo duplo.

Os EUA e seus aliados também aceitam que o governo aliado, de Saad Hariri, premiê libanês, dialogue com o Hezbollah, considerado terrorista pelos americanos, a ponto de a organização xiita integrar, ainda que dê forma minoritária, a administração em Beirute. Qualquer pessoa que tenha visitado o Líbano sabe ser impossível eliminar o Hezbollah. Para atingir este objetivo, seria preciso exterminar a quase totalidade da população xiita do Líbano (um terço do país). Obviamente, além de ser impossível, seria uma limpeza étnica.

E chegamos ao Hamas. Os EUA, através do Egito, incentivam a Autoridade Palestina, controlada pelo Fatah de Abbas e os independentes de Salam Fayyad, a chegar a um acordo com o grupo que controla a Faixa de Gaza. Porém os americanos não pressionam Israel a dialogar com o Hamas.

Os israelenses se recusam a conversar com o grupo extremista abertamente. Todos sabemos que, indiretamente, Israel tenta, por exemplo, libertar o Gilad Shalit em troca de centenas de prisioneiros palestinos.

De uma certa forma, talvez não tenha chegado o momento de Israel negociar com o Hamas. Mas se os EUA aceitam que o Taleban fale com Karzai, o Hezbollah integre o governo libanês e os insurgentes possam receber dinheiro para apoiar os americanos em Bagdá, por que não voltar um passo para trás no processo de paz e tentar um acordo da Autoridade Palestina com o Hamas?

Depois, com este acordo, talvez fosse mais rápido convencer Israel de que o diálogo de paz seria com todos os palestinos e o Hamas acataria as decisões da Autoridade Palestina. Atualmente, as congeladas negociações são com a Cisjordânia apenas, não com Gaza.

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.