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De Carajás a Nova York – Como a Vale explica o crescimento da Ásia e a decadência da Europa

gustavochacra

19 de outubro de 2010 | 10h21

Da China ao Brasil, do Chile à Indonésia, da África do Sul à Índia, começamos certamente o século dos emergentes. O mundo mudou. Hoje, enquanto a Europa para no tempo discutindo a imigração, voltando a ser xenófoba, além de não saber como fazer para sustentar o seu estado de bem estar social, a Ásia cresce e domina o mundo. O Brasil, de uma certa forma, é um país quase asiático, apesar de nossa limitação e falta de investimentos educacionais.

Algumas empresas brasileiras, como a Vale e a Embraer, talvez sejam hoje mais importantes para a imagem do Brasil no exterior do que nosso decadente futebol ou de nossa sempre presente música – desculpem, mas vôlei ninguém dá bola e não saiu uma linha nos jornais americanos sobre o nosso título mundial.

Ontem foi o “Vale Day” em Nova York. Na entrada da tradicional New York Stock Exchange (Bolsa de Valores de Nova York), símbolo de Wall Street, estavam as bandeiras da Vale, do Brasil e, claro, dos EUA. Jornalistas de todos os órgão de imprensa americanos estavam presentes,  inclusive quatro do Wall Street Journal, para participar da apresentação de Roger Agnelli, presidente da Vale.

E, pelo discurso do presidente da gigantesca multinacional brasileira, no coração do capitalismo americano, podemos entender porque o mundo é cada vez mais emergente, e os desenvolvidos, especialmente a Europa, fica para trás – os EUA não, pois aqui ainda é o maior pólo de inovação do mundo. Mas faz tempo que não ouço falar de algo lançado na França.

“Temos que rezar para a China todos os dias. Eles são muito importantes”, afirmou Agnelli. Segundo o presidente da Vale, “as economias emergentes são a chave para o crescimento. Atualmente, 52% do nosso faturamento vem da Ásia. Este número deve crescer para 80% nos próximos anos. Precisamos nos aproveitar do bom cenário asiático”.

Citando a China quase o tempo em seu discurso, Agnelli acrescentou que a “Ásia é uma realidade”. “A China não é uma bolha. É uma grande economia. E dois terços da população mundial estão na Ásia. Eles têm as reservas monetárias. São pessoas com orgulho de trabalhar. E, além da China, há a Índia, o Vietnã, a Indonésia, a Malásia, o Japão, a Coréia do Sul”, disse no “Vale Day” em Nova York, com direito a tocar o sino de abertura do pregão.

Na sua apresentação, Agnelli deu pouca importância aos americanos ao mesmo tempo que elogiava a África. “Os EUA não são um grande mercado”, afirmou. Segundo ele, assim como a Ásia, “a África é uma realidade. São a próxima fronteira para recursos naturais”. “Estamos investindo muito na África”, acrescentou Guilherme Cavalcanti, diretor financeiro da Vale.

Em nenhum momento, em todo o seu discurso, Agnelli usou a palavra “Europa”.

Amanhã, se não ocorrer nada de impacto  no mundo, pretendo discutir como este mundo mais “asiático” e menos “europeu” afetará a geopolítica do Oriente Médio. Em termos econômicos, os países do Golfo atuam 100% como os asiáticos, enquanto Israel lembra mais a inovação americana. Aliás, a decadência do Egito, da Síria e da Argélia lembra um pouco a européia.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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