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De Dahieh a Hamra – O ensaio da guerra civil libanesa em Beirute

gustavochacra

19 de janeiro de 2011 | 12h40

A última guerra civil no Líbano durou 15 anos, com dezenas de milhares de mortos. Não aposto em um novo conflito, mas quem me acompanha sabe que sou seguidor da teoria do cisne negro, do bilionário libanês e professor da Universidade de Nova York, Nicolas Nassim Thaleb. Quase todos os grandes eventos importantes não foram previstos. Apenas no Oriente Médio, lembraria da Guerra de 2006 entre Israel e o Hezbollah e, dois anos e meio mais tarde, a Guerra de Gaza.

Havendo, portanto, o risco de um novo conflito, diria que o Hezbollah tomaria o poder em Beirute em algumas horas. Certamente, menos de um dia. Caso sejam acusados pela ONU de ter matado o ex-premiê Rafik Hariri em atentado em 2005, podem levar adiante esta ameaça nos próximos meses. Ontem deram mais um sinal de que podem fazer o que quiser, a hora que quiser. Espalharam seus militantes pela cidade, mas depois todos dispersaram. No fim de 2008, chegaram literalmente a dominar as ruas das áreas sunitas da capital libanesa.

O confronto, porém, se prolongaria especialmente pelos embates nas partes cristãs. Seguidores de Michel Aoun entrariam em choque com os mais bem preparados militarmente aliados de Samir Gaegea, que tem a sua milícia Forças Libanesas. O Hezbollah precisaria intervir para ajudar seus parceiros cristãos.

O líder druzo Walid Jumblatt e o xiita secular Nabi Berri, da Amal, tentariam encontrar saídas para interromper os confrontos. O patriarca maronita, Nasrallah Sfeir, também teria enorme importância. O Exército poderia permanecer unido, mas neutro. Ou se diluir, com xiitas se recusando a lutar contra o Hezbollah, por exemplo.

As forças externas observariam inicialmente. Israel mobilizaria tropas para a fronteira e poderia oferecer ajuda através dos EUA aos inimigos do Hezbollah. Qatar e Turquia tentariam, junto com Jumblatt e Berri, acordos para evitar a deterioração do cenário. O Irã, apesar da crise econômica, canalizará todos os esforços para ajudar os xiitas libanesas.

E a Síria, quieta inicialmente, poderá ser o verdadeiro fiel da balança. Os sírios nunca quiseram ninguém mais fortes do que eles em Beirute. E isso inclui também o Hezbollah. O regime de Damasco não aceitará ser deixado para trás. E o restante, assim como o que escrevi antes, é pura especulação.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen e eleições em Tel Aviv, Beirute e Porto Príncipe. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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