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De Damasco a Beirute a Jerusalém – Ghajar, uma vila sírio-libanesa, mas não israelense

gustavochacra

17 de novembro de 2010 | 14h19

Ghajar é uma vila localizada na fronteira entre Síria e Líbano. Geograficamente, era parte das Colinas do Golã, que foi ocupada por Israel na Guerra de 1967. Com a anexação do território em ato não reconhecido pelas Nações Unidas nos anos 1980, os habitantes desta vila, que se sentem sírios, receberam o direito à cidadania israelense.

Nos anos 1980, Israel também ocupou o sul do Líbano durante ocupação do suk país. E Ghajar se expandiu para o norte, em direção ao território libanês. Neste sentido, a vila passou a ficar com uma metade na Síria e outra no Líbano. Ambas ocupadas por Israel. No ano 2000, os israelenses decidiram se retirar do território libanês e, como a linha passava no meio de Ghajar, metade ficou sob a soberania libanesa e metade, ocupada por Israel.

A comunidade local ficou dividida. Estas vilas são pequenas. E uma situação surreal passou a imperar. Os moradores da porção sul vivendo em Israel e os da norte, no Líbano. Nos dois casos, se sentindo sírios.

Veio uma nova guerra, em 2006, e o Hezbollah usou a área norte, do Líbano, em ações contra Israel. Em resposta, os israelenses reocuparam totalmente a vila, reunificando o sul e o norte. Agora, o gabinete de Israel decidiu desocupar de novo. E, mais uma vez, apenas a área do norte, libanesa. O sul continuará com Israel. As famílias voltarão a ser divididas.

Logo depois da votação, os habitantes de Ghajar protestaram. Mais importante do que o país ao qual pertencem, é estarem juntos. O melhor dos cenários para eles seria a devolução para a Síria, junto com o restante das colinas do Golã. Na geografia do Oriente Médio, eles se sentem como parte integrante do território sul, não libanês ou israelense.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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