As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

De Erdogan a Dilma e Obama, o mundo está decepcionado com seus governantes e seus opositores

gustavochacra

18 de junho de 2013 | 13h25

O mundo hoje se divide entre governantes que decepcionam a população e opositores incapazes de provocar esperança. O Brasil não é diferente. Mas, como não sou especialista em política brasileira, falarei do resto do mundo.

Começo pelos Estados Unidos. Em 2008, Barack Obama chegou ao poder com a promessa de que seria um presidente diferente. Arrumaria a economia e sairia de guerras. Implementaria liberdades sociais.

Hoje, cinco anos depois, descobrimos que Obama mantém uma guerra suja com seus Drones no Yemen e no Paquistão. Espiona os dados das pessoas na internet e nos telefonemas. Bombardeou a Líbia e agora enviará armas para rebeldes na Síria. Multiplicou o número de militares no Afeganistão. Não fechou Guantánamo. E o número de pessoas com emprego permanece o mesmo de quando ele assumiu.

Os republicanos não trazem  expectativa de mudança alguma. Mitt Romney até possuía projetos mais claros para a economia. Mas se radicalizou nas primárias do partido, deixando de ser aquele grande governador de Massachusetts responsável por uma exemplar reforma do sistema de saúde. Preferiu adotar, em vez disso, um discurso contra os imigrantes e não propôs nada distinto da bélica política externa de Obama.

Vamos para o Egito. Hosni Mubarak era um ditador e foi derrubado depois das manifestações da praça  Tahrir . Em seu lugar, assumiram os opositores da Irmandade Muçulmana. A segurança piorou, o Egito está um caos, minorias religiosas passaram a ser perseguidas e mulheres viram seus direitos restringidos.

E Israel? Reclamam de Benjamin Netanyahu e de seu governo onde alguns ministros passaram a rejeitar a solução de dois Estados. Mas os opositores se desuniram e não souberam encampar os desejos de dezenas de milhares que saíram às ruas em Tel Aviv.

Os palestinos têm o corrupto Fatah no poder na Cisjordânia. Os opositores são do Hamas, que adotam na Faixa de Gaza as práticas citadas acima para a Irmandade Muçulmana somadas a atos terroristas.

Os sírios são os em pior situação no momento. De um lado, um regime sanguinário. De outro, uma oposição cada vez mais radical, com integrantes canibais, e sem união ou ideal algum. Esta oposição apenas serve para ameaçar as mulheres (relativamente livres na Síria para padrões árabes) e as minorias religiosas como os alauítas e os cristãos, normalmente associados a Bashar al Assad.

Os turcos tem um premiê cada vez mais autoritário na figura de Erdogan, que tenta impor valores religiosos conservadores em uma nação com elevada proporção de laicos. Os partidos opositores não se organizam e ainda ficam à sombra de antigas ditaduras militares.

Na Europa, como sabemos, sai um Sarzoky e entra um Hollande para nada mudar. Todos os líderes europeus, da situação ou da oposição, têm decepcionado suas populações. Espanhóis são cada vez mais indiferentes ao PSOE e ao PP. Mesmo os alemães andam insatisfeitos.

O Canadá, que muitos devem achar o máximo, vê o prefeito de Montreal ser preso por suborno e o de Toronto ser acusado de ser viciado em crack – jornalistas viram imagens dele fumando.

Devagar, parece que todo o mundo se parece com a Argentina. Lembro de cheguei ao país para ser correspondente pouco depois da posse de De la Rúa. Ninguém aguentava mais a corrupção e a crise dos tempos do peronista Carlos Menem. A União Cívica Radical prometia mudanças. Era 2000. O resto vocês sabem. E hoje os argentinos tem uma presidente péssima, mas que se mantém no poder por não ter nada relevante na oposição.

O jeito, na Taksin, na Tahrir, em Manhattan, Budrus, Tel Aviv, na Plaza de Mayo e agora nas fantásticas manifestações de São Paulo, Rio, Brasília e tantas cidades do Brasil, é a população sair às ruas para protestar.

Obs. Honestamente, pelas fotos que vi, foram bem mais do que 65 mil pessoas em São Paulo. É impossível que o número de manifestantes seja 15 vezes menor do que a parada gay e a dos evangélicos. Algum dos números deve estar errado.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

Comentários islamofóbicos, antisemitas e antiárabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

Acompanhe também meus comentários no Globo News Em Pauta, na Rádio Estadão, na TV Estadão, no Estadão Noite no tablet, no Twitter @gugachacra , no Facebook Guga Chacra (me adicionem como seguidor), no Instagram e no Google Plus. Escrevam para mim no  gugachacra at outlook.com. Leiam também o blog do Ariel Palacios