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De Gaza a Beirute, diáspora forma cinco grupos diferentes de palestinos

gustavochacra

12 de janeiro de 2009 | 03h50

Separados geograficamente e com realidades diferentes de acordo com a região onde vivem, os palestinos não possuem ideais homogêneos e tampouco direitos iguais. Alguns têm passaporte, outros nem sequer podem deixar o lugar onde vivem. Há palestinos que vivem nas mesmas casas de seus avós. Outros nunca puderam colocar os pés em uma cidade palestina. Os cinco grupos nos quais os palestinos podem ser divididos são: árabes-israelenses, palestinos de Jerusalém, da Cisjordânia, de Gaza e os que vivem em outros países.

Os árabes de Israel têm os mesmos direitos dos demais israelenses. Podem morar onde quiserem, acesso à saúde, votam e podem trabalhar em qualquer emprego, incluindo no governo. Não precisam servir o Exército de Israel. Cristãos e muçulmanos se sentem palestinos e se recusam a lutar contra pessoas que eles consideram seus familiares, com exceção dos que são usados como espiões.

Esses árabe-israelenses e seus antepassados permaneceram em Israel após a Guerra de Independência, em 1948 – por esse motivo, são chamados de “48”. Como os outros israelenses, não poderiam visitar cidades árabes na Cisjordânia, mas os militares de Israel, em geral, fazem vista grossa e liberam a entrada.

O principal problema enfrentado pelos árabes-israelenses é o de serem considerados cidadãos de segunda classe. Eles dizem que muitas instituições do país são judaicas e, por isso, o acesso a elas é restrito. Lembram ainda que os partidos israelense, mesmo os de esquerda, nunca aceitaram fazer alianças com agremiações árabes na Knesset (Parlamento).

Outra complicação para os árabes-israelenses é a proibição, imposta por parte de alguns países árabes, como o Líbano e a Síria, de que eles possam entrar em seus territórios, já que são considerados cidadãos de Israel.

Os palestinos de Jerusalém eram cidadãos da Jordânia até 1967. Naquele ano, na Guerra dos Seis Dias, os israelenses conquistaram e anexaram a parte oriental da cidade. Os moradores foram autorizados a continuar vivendo em Israel, mas sem possuir cidadania. Chamados de “67”, eles usam uma identidade fornecida pelo governo de Israel. Com ela, podem trabalhar em todo o território israelense. Também recebem permissão para viajar pelo Aeroporto Ben Gurion.

Os palestinos que residem na Cisjordânia, em sua maioria, usam um passaporte jordaniano, mas não podem votar na Jordânia. O documento serve só para que eles entrem e saiam do território por meio de uma ponte. Proibidos de entrar em território israelense sem autorização, raramente concedida, especialmente para os mais jovens, eles enfrentam dificuldades para circular mesmo entre cidades da Cisjordânia.

Comparada à situação dos palestinos da Faixa de Gaza, porém, os moradores da Cisjordânia vivem no paraíso. Os palestinos do território controlado pelo Hamas, além de sofrer os bombardeios, são sujeitos a inúmeras restrições. Mesmo com a retirada dos assentamentos, Israel manteve o controle aéreo e marítimo da Faixa de Gaza. As importações e exportações dependem das fronteiras terrestres com o Egito e Israel, hoje fechadas. Metade da população do território depende ainda da ajuda humanitária concedida pela ONU. Com raras exceções, os palestinos de Gaza não têm passaporte. O Egito nunca deu cidadania a eles, diferentemente da Jordânia. Muitos nunca puderam deixar o território.

Já os refugiados palestinos são os que vivem fora da Palestina histórica (Israel, Cisjordânia e Faixa de Gaza). Eles – ou seus pais e avós – foram expulsos ou deixaram suas casas durante a Guerra Árabe-Israelense de 1948. O Líbano, a Síria e a Jordânia foram seus principais destinos. Na Jordânia, eles são cidadãos com todos os direitos, incluindo o de voto. Na Síria, eles têm uma espécie de greencard, com o qual recebem direito a educação, saúde e trabalho.

DIREITO DE RETORNO

Já os que vivem em Beirute, Sidon e Trípoli são cidadãos de segunda classe. Os libaneses não permitem que os palestinos trabalhem em ao menos 20 profissões. Tampouco podem possuir casas fora dos campos de refugiados.

De acordo com a ONG Anistia Internacional, o sonho de um dia esses palestinos voltarem a suas casas é impossível de se realizar. Israel se recusa a aceitar o retorno deles, afirmando que isso colocaria em risco a maioria judaica dentro do território israelense.

* Reportagem publicada no Estado, mas que acho necessária postar aqui
** Estou a caminho de Ramallah para acompanhar o ministro Celso Amorim (já voltei)
*** Por favor, passem a postar comentários, ainda que referentes ao texto de ontem, neste espaço

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