As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

De Gaza a Cisjordânia – O acordo dos impopulares Fatah e Hamas

gustavochacra

27 de abril de 2011 | 21h04

no twitter @gugachacra

Até o pacto anunciado ontem, os palestinos, nos últimos quatro anos, viviam divididos geografica e politicamente. A Cisjordânia está nas mãos do Fatah, uma organização secular e que negocia a paz com os israelenses. O grupo islâmico Hamas, que não reconhece oficialmente a existência de Israel, controla a Faixa de Gaza. A separação levou muitos a questionarem a viabilidade de um Estado que incorporasse os dois territórios.

Neste período, o Fatah e o Hamas estiveram próximos de travar uma guerra civil em Gaza e sempre se posicionaram em campos opostos nas principais questões palestinas. Quando Israel lançou ofensiva em Gaza contra o Hamas no fim de 2008 para conter os disparos de foguetes, a Autoridade Palestina, na Cisjordânia, preferiu não se envolver. Inclusive, há relatos do que o Fatah chegou a incentivar as ações israelenses. No ano passado, quando o presidente Mahmoud Abbas retomou as negociações de paz com Israel, o Hamas manteve distância, criticando o processo.

Atualmente, tanto o Fatah e quanto o Hamas enfrentam queda de popularidade. Os dois grupos não desfrutam de apoio de maioria da população em seus territórios. Apenas 17% considera boa ou muita boa a administração em Gaza. O suporte ao Fatah, na Cisjordânia, é mais do que o dobro, mas ainda assim de somente 35%, segundo Centro Palestino de Pesquisa de Opinião Pública, com sede em Ramallah (a organização é independente).

Fundado há mais de meio século, o Fatah nasceu no exílio, como uma organização nacionalista liderada por Yasser Arafat. Havia muitos cristãos na alta cúpula do grupo. Incialmente, o objetivo era criar um Estado palestino que englobasse não apenas a Cisjordânia e Gaza, mas também o que hoje é Israel. Através dos acordos de Oslo, no início dos anos 1990, o Fatah, que liderava a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), reconheceu a nação israelense nas suas fronteiras pré-1967.

Já o Hamas foi criado no fim dos anos 1980, na Primeira Intifada, com um discurso extremista islâmico. Na década seguinte, adotou a tática das ações suicidas, cometendo dezenas de atentados que mataram centenas de israelenses. A organização, ainda hoje, não aceita a existência de Israel, apesar de alguns de seus líderes já terem indicado que reconheceriam o Estado israelense nas fronteiras pré-1967.

Com o acordo, aumenta a expectativa de que a Cisjordânia e a Faixa de Gaza possam voltar a ter uma administração comum. O problema é que Israel  já declarou que não negociará a paz com um governo que inclua o Hamas.

Ironicamente, o líder de mais destaque hoje entre os palestinos não pertence ao Fatah e tampouco ao Hamas. Salam Fayyad, premiê palestino, é independente.

 Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.