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De Islamabad a Cabul – Maior aliado dos EUA na Guerra ao Terror, ajuda o Taleban

gustavochacra

26 de julho de 2010 | 08h52

O Paquistão, que talvez seja o principal aliado dos Estados Unidos na Guerra ao Terror, ajuda a milícia extremista Taleban e a rede terrorista Al Qaeda no Afeganistão na sua luta contra os americanos. Pode parecer bizarro, e é mesmo. Está nas manchetes de hoje do New York Times (“Pakistan Spy Unit Aiding Insurgents, Reports Suggest”), do Washington Post (“Pakistan aid to Taliban insurgents hinted”) e todos os grandes jornais do país.

A administração de George W. Bush sabia disso, assim como a de Barack Obama. Aliás, mesmo com essas informações, o atual presidente decidiu enviar dezenas de milhares de jovens americanos para lutar no Afeganistão na mesma época em que recebeu o Nobel da Paz.

Passamos a última década escutando que o Irã dá apoio a entidades terroristas. E realmente dá, não é mentira. Por este motivo, os iranianos são considerados inimigos dos EUA e há um movimento internacional para impedir que o regime de Teerã desenvolva a bomba atômica – os iranianos afirmam que seu programa é para fins civis. Pelo menos, o Irã não nega a sua relação com estes grupos.

Ao mesmo tempo, os EUA fecham os olhos para acordos nucleares da China com o Paquistão, que tem bomba nuclear. Concedem mais de US$ 1 bilhão em ajuda para o regime de Islamabad. E, há algumas semanas, a secretária de Estado, Hillary Clinton, que sabe das ligações Paquistão-Taleban, ao anunciar uma ajuda extra de US$ 500 milhões, afirmou que “os paquistaneses são aliados nossos em uma causa comum”.

Já passou da hora de os EUA agirem como no Vietnã. Como disse um amigo meu americano, “declarem vitória, mesmo tendo perdido a guerra, a tragam os soldados de volta”. Não dá para saber o que ocorrerá ficando ou saindo do Afeganistão. Pelo menos, haverá a certeza de menos gastos, que poderão ser direcionados para a segurança interna dos EUA e, acima de tudo, menos jovens americanos morrerão ou serão dilacerados em um distantes país da Ásia Central. Esta já é a mais longa guerra da história americana.

Quem sabe, daqui duas décadas, o Afeganistão-Paquistão não se torne um roteiro de viagem tão badalado quanto Laos-Camboja-Vietnã, que é a moda até na elite brasileira. O Laos, que era um dos regimes mais fechados do mundo até uma década atrás (quase uma Coréia do Norte); o Vietnã da guerra que matou dezenas de milhares de americano; e o Camboja, do genocida Pol Pot, do Kmer Vermelho.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios