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De Jerusalém a Riad – Israel e a paz de todos os árabes

gustavochacra

16 de setembro de 2010 | 07h57

Quase ninguém fala neles, mas o Egito e a Jordânia são atores coadjuvantes considerados fundamentais nas negociações de paz entre Israel e a Autoridade Palestina, mediadas pelos Estados Unidos. Os dois foram escolhidos para participar do processo em detrimento de aliados americanos, como a França e a Grã Bretanha, e outras potências, como a Rússia e a China.

O Brasil e a Turquia, que também haviam se oferecido para participar das negociações, foram deixados de fora. Os brasileiros foram ignorados. Já a Turquia é guardada pelos EUA para ajudar em uma possível negociação entre Israel e a Síria, que pode ser reiniciadas em breve – o enviado americano, George Mitchell, chega hoje a Damasco. O presidente sírio, Bashar al Assad, exige que os turcos voltem a ser os mediadores, como ocorria até o fim de 2008.

O Egito e a Jordânia também representam indiretamente a Liga Árabe. Seu envolvimento nas negociações conta com o aval dos outros países árabes que, capitaneados pela Arábia Saudita, já disseram que estabeleceriam relações com os israelenses caso houvesse uma retirada de todos os territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias (1967), o que inclui a Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jerusalém Orienta e Colinas do Golã.

Atualmente, os países do Oriente Médio, que incluem além das nações árabes e de Israel, a Turquia e o Irã, se dividem em três grupos. O primeiro é composto pelos que possuem relações com Israel – Turquia, Jordânia e Egito. Os países do Golfo Pérsico e do Norte da África foram um segundo grupo, dos que não mantêm relações com Israel, mas tampouco possuem conflitos. Em alguns casos, chegam a estabelecer relações comerciais. Para completar, existem os países em Estado de guerra – Irã, Síria e Líbano. Os dois últimos tem disputas territoriais com os israelenses.

A estratégia americana e de Israel é um amplo acordo de paz com todos os países árabes. Desta forma, o Irã seria isolado, tendo como aliados apenas grupos como o Hezbollah e o Hamas. Para chegar a este ponto, segundo dizem alguns analistas, seria necessário um passo corajoso do rei Abdullah, da Arábia Saudita, que poderia convidar Netanyahu para um encontro.

Este encontro serviria para os israelenses ganharem a mesma confiança que o Egito conquistou depois da visita de Anwar Sadat a Jerusalém. Ver o rei saudita reunido com o premiê israelense seria o sinal final de que Israel terá o reconhecimento. Mas esta possibilidade ainda é um sonho. Enquanto isso, o Egito e a Jordânia seguem como os representantes árabes nas negociações entre os palestinos e Israel.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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