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De Jerusalém a Tel Aviv – Líder judaico dá uma de Ahmadinejad às avessas e mostra o pior de Israel

gustavochacra

29 de agosto de 2010 | 13h24

Mahmoud Ahmadinejad já tem seu equivalente no lado israelense. Ovadia Youssef, que já foi o rabino-chefe dos judeus sefaradis e é um dos principais líderes ortodoxos de Israel, deu uma de presidente do Irã às avessas e pediu a morte do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e de todos os palestinos em clara defesa do genocídio.

Certamente a declaração causará problemas para o premiê Benjamin Netanyahu às vésperas das negociações com os palestinos em Washington. Youssef é líder espiritual do Shas, que integra a coalizão governista. O primeiro-ministro não poderá ficar quieto sem denunciar as afirmações racistas de seu aliado ortodoxo. Caso contrário, será visto como conivente e, acima de tudo, hipócrita porque ele sempre critica lideranças palestinas moderadas por não condenarem a incitação à violência.  Ao mesmo tempo, uma briga séria com Youssef pode levar ao fim de sua coalizão.

Mais importante, as declarações do líder extremista judaico deixam ainda mais claro que existem “duas” Israel. Uma liberal e cosmopolita na costa, nos charmosos boulevards de Tel Aviv com sua arquitetura Bauhaus, dos kitesurfs, dos restaurantes e da tolerância com os vizinhos árabes em lugares como Haifa e Jaffa. A Israel que mostra ao mundo como avançar na economia e na tecnologia, do judaísmo sonhado pelo movimento sionista em seu início.

O problema é que existe uma outra, religiosa e radical, ultrapassada, defensora dos assentamentos e racista, com seu coração em Jerusalém. Esta é a Israel de Youssef e do Shas. Netanyahu, para ter sucesso nas negociações de paz, deveria deixar de lado sua rivalidade com Tzipi Livni e o Kadima e se aliar com a oposição, se afastando do radicalismo do Shas e do Israel Beitenu, que apenas deterioram a imagem de Israel e dos judeus no exterior. Basicamente, Netanyahu precisar ser mais “Tel Aviv” e menos “Jerusalém”.

Israel não pode mais perder jovens empreendedores. Muitos deles partem para os Estados Unidos, enquanto judeus radicais americanos vão viver em Israel. Aqui no Upper West Side, no West Village, é comum ver jovens israelenses que desistiram de seu país e fizeram a Aliyah inversa. Certamente, declarações racistas e genocidas como a do líder do Shas contribuem na hora de eles decidirem se mudar aqui para Nova York.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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