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De Jerusalém Oriental a Ocidental – Última chance da solução de Dois Estados?

gustavochacra

22 de agosto de 2010 | 09h02

Demorei para escrever sobre a retomada do diálogo entre israelenses e palestinos. Como deixei claro aqui uma vez, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, demorou para concordar em conversar com o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu. Se não aceitasse, seria culpado pelo fracasso das negociações antes mesmo de elas começarem.

Não sei se dará certo. Há 20 anos palestinos e israelenses negociam um acordo para tentar enfim chegar à paz no Oriente Médio. Houve avanços nos anos 1990, e retrocessos na década seguinte. De um lado, os palestinos se governam hoje nos centros urbanos da Cisjordânia e na Faixa de Gaza. De outro, não possuem mais uma vida integrada com os israelenses – no passado, era comum palestinos de Gaza trabalharem em Tel Aviv.

Isso significa que a solução de dois Estados ganhou força. Os palestinos teriam seu país na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Mas quatro fatores impediram o sucesso completo desta via até agora. 1) Assentamentos; 2) Refugiados; 3) Status de Jerusalém;  4) Terrorismo.

Basicamente, segundo um quase consenso na opinião pública internacional, Israel precisaria remover seus assentamentos na Cisjordânia, mantendo os principais blocos na fronteira, que seriam trocados por outras terras. Os refugiados poderiam retornar apenas para o Estado palestino, e não para o que hoje é Israel. Uma saída para Jerusalém precisaria ser encontrada. Talvez, sendo unificada, ao mesmo tempo que continuaria como capital de Israel e simbólica dos palestinos – na prática já é Ramallah. Grupos como o Hamas teriam que abdicar do terrorismo e aceitar a existência de Israel.

Ainda sobraria a divisão entre Gaza e a Cisjordânia. Este é um problema delicado e o risco de terminar como Bangladesh e Paquistão cresce a cada dia.

Caso Abbas e Netanyahu não cheguem a um acordo, poderemos ver os palestinos deixando de lado o sonho de ter um Estado, para pedir cidadania. Isso já começou a ocorrer. Eles aceitariam que a Cisjordânia é Israel. Em troca, exigiriam a cidadania israelense. Obviamente, seria o início do fim do caráter judaico de Israel.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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