As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

De Khamanei a Paulo Coelho – Ao proibir livro, Teerã demonstra ser um fiasco em relações públicas

gustavochacra

10 de janeiro de 2011 | 17h42

Havia um ditado no passado dizendo que “os palestinos nunca perdem uma oportunidade de perder uma oportunidade”. Esta frase se aplicava bem aos tempos de Yasser Arafat. Mas, desde a chegada ao poder do premiê Salam Fayyad, PhD em economia pela Universidade do Texas, os palestinos aprenderam a fazer relações públicas e hoje conquistam a simpatia de todo o mundo.

Já o Irã dos tempos de Mahmoud Ahmadinejad parece ter assumido o posto dos palestinos. As atitudes do atual regime prejudicam apenas a eles próprios. A imagem internacional do país não para de se deteriorar. Uma hora são os alpinistas presos, em outro o presidente questiona o Holocausto e o 11 de Setembro, manda para cadeia um diretor de cinema, condena uma mulher à morte por apedrejamento e a lista prossegue até chegar à proibição dos livros do Paulo Coelho.

Não dá para entender. Mesmo porque os livros continuarão sendo encontrados facilmente no mercado negro de Teerã. E, além disso, o Irã dos tempos de Ahmadinejad se tornará ainda mais pária na comunidade internacional. Com um histórico destes, ninguém conseguirá defender o Irã nos fóruns internacionais, como as Nações Unidas. Até mesmo a bem mais conservadora Arábia Saudita é mais hábil na hora de fazer relações públicas. O regime iraniano deveria aprender urgentemente com os palestinos a receita para melhorar a imagem – basicamente, acabar com o radicalismo e deixar de tomar atitudes sem sentido.

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen e eleições em Tel Aviv, Beirute e Porto Príncipe. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.