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De Nova York a Bagdá – Depois de 7 anos de guerra, Irã é mais forte do que os EUA no Iraque

gustavochacra

31 de agosto de 2010 | 06h13

Os Estados Unidos formalizam hoje o fim das operações de combate no Iraque. Sete anos e meio depois da guerra, os americanos deixam nas mãos dos iraquianos a segurança do país, mantendo 50 mil militares para apoio logístico e treinamento – no auge, os americanos chegaram a ter 165 mil.

Inicialmente, o presidente George W. Bush atacou o Iraque com o suposto argumento de que o regime de Saddam Hussein estivesse desenvolvendo armas de destruição em massa. Não encontrou nada. A ligação com a Al Qaeda tampouco existia, pois Saddam era secular e inimigo de Bin Laden. No fim, o argumento que prevaleceu foi o de que serviria de laboratório para a democracia no Oriente Médio, mas a onda democrática não se propagou pelo mundo árabe.

Eleições legítimas foram realizadas no Iraque. A última delas em março. Até agora, cinco meses depois, os iraquianos não conseguiram formar um novo governo. Verdade, mesmo a Austrália enfrenta dificuldades para montar uma coalizão em sistema parlamentarista.

A discussão agora é se os EUA conseguirão manter a influência sobre o governo iraquiano depois da retirada das forças de combate. Segundo disse ao Estado recentemente o professor da Universidade Columbia Rashid Khalidi, “duvido que os EUA terão muita influência no Iraque no longo prazo. Na verdade, o Irã já é mais influente do que os americanos na política iraquiana”.

Marina Ottaway, do Carnegie Endowment  for International Peace, concorda. “Os Estados Unidos podem dar conselho e fazer sugestões, mas não estão em uma posição para forçar Bagdá a seguir os passos desejados por Washington”, afirmou em análise.

Notem que, apesar dos mais de 4 mil americanos que morreram lutando no Iraque, quem dará as cartas em Bagdá será o regime de Teerã, justamente o maior inimigo dos EUA no mundo hoje. A guerra serviu, portanto, para ajudar a remover do poder o principal inimigo do Irã no Oriente Médio. Saddam travou uma sangrenta guerra com os iranianos em que mais de um milhão de pessoas morreram – mais do que todos os conflitos envolvendo Israel e os árabes.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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