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De Nova York a Beirute – Novo governo desequilibra o Líbano

gustavochacra

25 de janeiro de 2011 | 12h48

IMPORTANTE – ESTOU COMENTANDO O TEMPO TODO NO TWITER OS ACONTECIMENTOS NO EGITO E NO LÍBANO. MAS USO O NOME GUGACHACRA. SERÁ QUE O MUBARAK VAI CAIR?


O Líbano era cristão, virou sunita e agora é xiita? Não, não é bem assim. Mas o poder libanês está desequilibrado. A queda do governo de Saad Hariri e a escolha de Najib Mikati indicam um fortalecimento dos xiitas em detrimento dos sunitas em Beirute. E isso pode ter repercussões graves.

Em teoria, o Líbano ainda se divide em presidente cristão maronita, premiê sunita e presidente do Parlamento xiita. Metade dos deputados é cristã e a outra se divide entre sunitas, xiitas e drusos. O mesmo vale para o gabinete ministerial e as Forças Armadas.

Além disso, na prática, os sunitas tinham o poder executivo, do premiê. Os cristãos, a força da Presidência na área da segurança e a capacidade de sempre ter metade do poder em qualquer governo. Os xiitas, além de controlar as convocações e a agenda do Parlamento, tinham as armas do Hezbollah.

Esta divisão se quebrou. O novo premiê é sunita, conforme prevê a lei, e tem um currículo invejável. Homem mais rico do Líbano, superando a família Hariri, tem um MBA da Universidade Americana de Beirute e participou de cursos para executivos em Harvard. Mas ele não representa a população sunita, que ainda apóia Hariri.

A atual coalizão de poder libanesa conta com os xiitas radicais do Hezbollah, os xiitas moderados da Amal, os seguidores do líder cristão populista Michel Aoun e os drusos de Walid Jumblat,  que foi o fiel da balança ao mudar de lado. Apesar de Mikati, não há a presença dos partidos sunitas fortes.

Portanto os cristãos mantêm o seu presidente, Michel Suleiman, e Aoun terá a maioria dos ministros no gabinete. Isso sem falar, como dito acima, nos 50% do Parlamento. Os xiitas, além das armas, terão um premiê fantoche na figura de Mikati. E os sunitas? Nada. Ficou desequilibrado.

Sem nenhum poder, os sunitas observarão o novo governo rejeitar as conclusões do Tribunal da ONU que investiga a morte de Rafik Hariri, maior líder sunita da história recente libanesa e pai do ex-premiê Saad Hariri. Tampouco terão voz na nova administração. Emudeceram um terço do Líbano

Consequentemente, estes sunitas sairão às ruas para expressar a sua ira. Isso já começou a acontecer, com o bloqueio de ruas e protestos. Ainda não há nada violento, mas pode virar. Claro, eles têm bem menos poder do que o Hezbollah. E o Exército tem capacidade de controlá-los. Mas, aos poucos, eles podem se armar com a ajuda dos sauditas e mesmo dos EUA.

Para completar, não esqueçam, a Al Qaeda e os refugiados palestinos em Beirute são sunita. E eles nunca gostaram de ver os xiitas, seus maiores inimigos, muito fortes.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen e eleições em Tel Aviv, Beirute e Porto Príncipe. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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