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De Nova York a Bogotá – Colômbia não é apenas tráfico de drogas

gustavochacra

25 de março de 2010 | 11h16

Estrangeiros quando chegam a São Paulo sempre notam a enorme quantidade de muros ao redor dos prédios e casas. Não apenas dos mais caros, como também os de classe média. Para entrar na garagem de edifícios modernos em bairros que podem ir da Vila Nova ao Jardim Anália Franco, passando por Jardins, Higienópolis e Santana, somos obrigados muitas vezes a cruzar dois portões com nossos carros. Porteiros ficam dentro de guaritas à prova de bala com monitores para observar tudo o que ocorre dentro e fora do prédio. Estas medidas são necessárias pois, mesmo com elas, ainda ocorrem assaltos contra edifícios na capital paulista.

Já em Bogotá as portas dos prédios de bairros sofisticados como Rosales, Chicó e alguns ao redor da badalada Zona T possuem portas de vidro que abrem direto para jardins que se estendem até as arborizadas calçadas. Sem muro e muitas vezes sem porteiro, estes edifícios de tijolinhos, que são uma tradição local, demonstram que a sensação de insegurança na capital colombiana é menor do que em São Paulo, pelo menos nas áreas mais caras. Tampouco nas ruas do centro, perto do palácio Nariño ou da praça Simon Bolívar, parece haver risco de que roubem nossos celulares ou carteiras. Bem diferente de Caracas, por exemplo, onde uma caminhada de dois quarteirões pode significar um assalto.

A violência na Colômbia também se reduziu no interior durante os anos do governo Uribe. As FARC nunca estiveram tão enfraquecidas, apesar do atentado de ontem. Cali e Medelín não estão mais nas mãos dos traficantes de drogas, apesar de o país ainda ser o maior produtor de cocaína do mundo. Isto é, melhorou, pelo menos na superfície, mas ainda não é perfeito. Agora, achar que a Colômbia seja apenas uma teia de traficantes de droga e plantadores de café é um equívoco grave. Uma visita a Cartagena nos leva para dentro dos livros de Garcia Marquez. E Bogotá, sem dúvida, surpreende positivamente tanto quanto São Paulo e a Cidade do México. É uma metrópole cosmopolita, sofisticada e verde. Apesar de apresentar problemas como todas as grandes cidades com milhões de habitantes, está longe de ser como Caracas ou La Paz.

A Colômbia não é apenas tráfico de drogas, café, Garcia Marquez, Botero e Shakira – apesar de os quatro últimos valorizarem o país. Assim como o Brasil não é apenas futebol, carnaval e Lula.

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Sigo na Colômbia, de onde escreverei posts nos próximos dias, antes de retornar a Nova York

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009

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