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De Nova York a Calafate- Morte de Kirchner não estava na equação da teoria dos jogos

gustavochacra

28 de outubro de 2010 | 08h46

Existem duas teorias que gosto de trabalhar. Na dos jogos, levamos em consideração diversos atores e, através de uma série de combinações e cálculos, tentamos definir o resultado de um evento. Pode ser uma eleição, o preço de um produtor ou a chance de uma guerra.

Na do Cisne Negro, do mega investidor libanês baseado nos EUA, Nicolas Nassim Taleb, vemos que os grandes eventos da história não foram previstos. E que todas as análises e cálculos podem se desmanchar diante de um acontecimento inesperado que não estava na equação. A morte de Nestor Kirchner é um deles. Verdade, ele foi internado com problemas no coração duas vezes neste ano. Mas analistas sempre o incluíam nas previsões para a eleição argentina do ano que vem.

Ariel Palácios, correspondente do Estadão em Buenos Aires há quase vinte anos, ao falar comigo no skype há duas semanas, me desenhou um cenário dizendo que havia 13 candidatos de oposição e o casal Kirchner se dividiria entre a disputa do governo da Província de Buenos Aires e a da Presidência.

Ontem, Kirchner morreu. Todas as previsões foram por água abaixo. Assim como iriam as centenas de análise sobre o destino do Irã se Ahmadinejad ou o aiatolá Khamanei, que é idoso, morresse. Mesmo Netanyahu em Israel. Quem no Likud está a sua altura? Verdade, em alguns casos, como em Cuba e no Egito, colocamos a possibilidade de morte de Mubarak e de Fidel no cálculo. Porém ninguém age da mesma forma na Venezuela e na Síria.

Em Wall Street, o valor o risco argentino diminuiu com a morte de Kirchner. É natural isso ocorrer quando um CEO indesejado deixa um empresa. O interessante é que um seguidor da teoria do cisne negro, sem saber nada de Argentina, pode ter ganho mais dinheiro do que um especialista em mercado argentino que baseava as suas previsões em um Kirchner vivo.

Para completar, falando em Kirchner, queria deixar claro que um homem que deveria ser mais respeitado na política argentina é Eduardo Duhalde. Assim como Itamar Franco, no Brasil, e George Bush pai, nos EUA, eles foram fundamentais para seus países, porém caíram quase no esquecimento. Equivalem ao Rivaldo no futebol. Sem ele, não teríamos ganho a Copa. Mas quase sempre o citado como responsável pela conquista é o Ronaldo. Falando nisso, e se o Balak não tivesse tomado o cartão amarelo naquele jogo? Será que teríamos conquistado o penta. É o Cisne Negro sempre derrubando a Teoria dos Jogos.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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