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De Nova York a Columbine – Os 250 anos de massacres nas escolas e universidades americanas

gustavochacra

08 de abril de 2011 | 09h48

no twitter @gugachacra

No Rio pode ser novidade, mas massacres de estudantes em escolas e universidades começaram nos Estados Unidos doze anos antes da independência do país. Em 1764, guerreiros indígenas invadiram uma escola maternal de colonos brancos e mataram dez crianças e dois professores na Pennsylvania. Ao longo dos mais de dois séculos seguintes, episódios similares se repetiram do Pacífico ao Atlântico.

O mais célebre de todos os ataques, em abril de 1999, é o de Columbine, que se tornou tema de documentário de Michael Moore e inspirou o cineasta Gus Van Sant para produzir o seu filme Elephant. Eric Harris e Dylan Klebold mataram outros 13 alunos nesta High School (Ensino Médio) do Colorado antes de se suicidar. Na ação, planejada ao longo de meses, eles usaram armas de fogo e bombas.

Oito anos mais tarde, semanas antes da formatura dos alunos, o mais sangrento massacre da história universitária americana ocorreu quando o estudante de literatura inglesa Seung Hui Cho assassinou 27 colegas e cinco professores na Universidade Virginia Tech. Assim como os criminosos de Columbine, ele se matou em vez de se entregar para as autoridades.

Ao estudar estes casos e outros que tiveram menos repercussão, autoridades americanas ainda tentam definir um padrão para estes assassinos. Em geral, eles seria vítimas de bullying com problemas psicológicos. Outros acrescentam ainda a facilidade para se adquirir armas de fogo em muitos Estados americanos, onde praticamente não existe restrição.

Uma das saídas para tentar impedir novos ataques é descobrir os planos dos assassinos antes de eles levarem adiante os ataques. Os dois atiradores de Columbine já haviam sido encaminhados para prisões juvenis e passado por atendimentos psiquiátricos. Anos antes dos assassinatos, eles escreviam em um site sobre as ameaças contra outros estudantes da escola.

Logo depois destes episódios, as universidades e escolas costumam anunciar medidas para tentar coibir ações violentas. A Universidade Columbia, em Nova York, na época do ataque na Virginia Tech, chegou a cogitar colocar detector de metais. Quatro anos depois, qualquer pessoa tem acesso durante o dia às instalações universitárias, menos à biblioteca, sem precisar sequer mostrar documentos ou passar por qualquer forma de inspeção. O mesmo se aplica à NYU (Universidade de Nova York).

Em algumas escolas públicas da cidade existe detector de metal. Mas o objetivo é mais combater crimes comuns do que tentar impedir que algum aluno cometa um massacre. No ano passado, devido ao bullying, também foi registrado um aumento no número de suicídios de estudantes homossexuais.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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