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De Nova York a Damasco – Assad sobreviverá como o rei Abdullah ou naufragará como Mubarak?

gustavochacra

24 de março de 2011 | 18h27

No twitter @gugachacra

Difícil dizer onde terminarão os protestos na Síria. Nos casos anteriores, observados no mundo árabe, há três tendências. Na primeira, os regimes não conseguiram resistir aos levantes, como na Tunísia e no Egito. Na segunda, depois de manifestações iniciais, os governos sobreviveram, como em Omã, Jordânia e Marrocos. A terceira via é a da Líbia, onde eclodiu uma guerra civil.

Há diferenças entre os casos um, dois e três. Ben Ali e Hosni Mubarak foram lentos para anunciar reformas. Os que resistiram e se mantiveram no poder em Rabat, Amã e Muscate foram mais rápidos na hora de implementar mudanças. Kadafi não cedeu em nada.

Assad, observando o cenário nos vizinhos, tentou se antecipar para se encaixar no grupo dois. Inclusive, soube usar táticas de relações públicas para conseguir uma boa imagem externa ao escolher Buthaina Shaaban, sua chefe de gabinete, para discursar em nome do regime. E, bem ao estilo de seu regime secular sírio, ela estava de cabelos soltos e sem cobrir a cabeça, falando em inglês quando necessário. Eu a conheço pessoalmente e sei que não tem nada de amadora.

Nesta sexta-feira, que equivale ao domingo na Síria, precisamos observar se as manifestações irão se expandir de Daara, na fronteira com a Jordânia, para Damasco, Aleppo, Hama e Homs. Também veremos qual será a reação de Bashar al Assad diante de possíveis protestos nas grandes cidades. Se o seu regime correr riscos, talvez a Síria possa se parecer mais com o três (Líbia), do que com o um.

O certo, conforme escreveu um analista árabe hoje, é que Assad ainda está no começo do que pode ou não ser uma grande crise. Difícil dizer onde dará, apesar de consultorias de risco político descartarem uma ameaça ao regime – abordarei este tema nos próximos dias. O certo apenas é que Abdullah Saleh, do Yemen, está com os dias contados.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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