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De Nova York a Jerusalém – Netanyahu fica com medo dos defensores dos assentamentos

gustavochacra

27 de setembro de 2010 | 08h41

Os defensores dos assentamentos na Cisjordânia são inimigos da paz. Não existe qualquer justificativa para eles retomarem as construções depois dos dez meses de congelamento. Poderiam ter prorrogado a moratória em novas unidades como pediam os EUA, os palestinos e praticamente todos os países do mundo. Em vez disso, optaram por ameaçar deixar a coalizão de governo de Netanyahu caso o premiê determinasse a extensão.

O premiê certamente veria rebelião em seu governo se atendesse aos pedidos de Obama e prorrogasse o congelamento. Porém, nestas horas, um político pode se transformar em um estadista ou ser apenas mais um. Bibi sabe da necessidade de manter o congelamento por mais alguns meses até que se determine a fronteira final do Estado palestino. Ele próprio já indicou que pensa assim. Mas teve medo e se acovardou diante das ameaças de membros mais radicais de sua coalizão. Não foi um estadista. Ficou distante de Sadat, de Rabin, de Begin.

Ainda que estes radicais deixassem seu governo, Netanyahu poderia se aliar ao mais pacifista Kadima, composto por muitos ex-membros do Likud, como a própria Tzipi Livni. Seria a formação ideal para Israel chegar a um acordo de paz. Havia uma saída, mas ele não quis. Desta vez, o Arafat da história será o premiê israelense, não Mahmoud Abbas, caso o processo entre em colapso.

Eram apenas mais alguns meses. Todos sabemos que os principais blocos de assentamentos ficarão no lado israelense, em troca de terras em outras áreas. Quando acabasse a extensão do congelamento, Netanyahu, como um estadista, poderia anunciar a construção de novas unidades em cidades, e não mais assentamentos, reconhecidas pela Autoridade Palestina.

Da forma como está, Israel mantém a ocupação ilegal da Cisjordânia, indo contra toda a comunidade internacional. E os palestinos continuam sendo o único povo sem Estado e sem cidadania do mundo – muitos não têm Estado, como os curdos e bascos, mas todos são cidadãos dos países que os ocupam.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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